Casas romanas afetadas pela erupção do Vesúvio são reabertas em parque na Itália
Locais passaram por restauração, cujo projeto contou com financiamento de 5 milhões
Após décadas fechadas, as históricas Casa do Átrio de Mosaico e Casa com a Moldura em Treliça foram reabertas à visitação no Parque Arqueológico de Herculano, na Itália. A restauração faz parte do Projeto Domus, que contou com 5 milhões de euros para recuperar e preservar estruturas afetadas pelo Vesúvio em 79 d.C. A reabertura destaca a conservação contínua do patrimônio e traz novidades ao público, como o acesso inédito ao primeiro andar da Casa a Graticcio e a contemplação de mosaicos originais.
Duas antigas residências romanas que permaneceram fechadas ao público por décadas, no Parque Arqueológico de Herculano, no sul da Itália, voltaram a receber visitantes nesta sexta-feira (6).
A Casa do Átrio de Mosaico e a Casa com a Moldura em Treliça foram reabertas após um amplo trabalho de restauração e conservação realizado no âmbito do Projeto Domus.
A iniciativa contou com financiamento de 5 milhões de euros do Contrato de Desenvolvimento Institucional Vesúvio-Pompeia-Nápoles (CIS) e tem como objetivo recuperar e preservar continuamente as seis domus mais importantes do sítio arqueológico, protegendo o patrimônio dos efeitos da passagem do tempo.
Com vista para o mar, a Casa do Átrio de Mosaico é uma das construções mais imponentes do complexo. O imóvel guarda marcas da erupção do Vesúvio, em 79 d.C., especialmente os vestígios deixados pelo peso dos materiais vulcânicos sobre o piso do átrio.
Com a reabertura, os visitantes poderão percorrer o jardim e contemplar, a partir do salão monumental conhecido como Oecus Aegyptius, o mosaico que dá nome à residência.
Já a Casa com a Moldura em Treliça, também chamada Casa a Graticcio, apresenta características de um pequeno condomínio da época romana, com uma loja no térreo. Uma das novidades é a possibilidade de acessar, pela primeira vez, os ambientes do antigo primeiro andar, de onde se tem uma vista panorâmica do Cardo IV, uma das antigas vias da cidade que conduziam ao mar.
Para o diretor-geral dos Museus da Itália, Luca Mercuri, a reabertura representa uma "conquista significativa para Herculano e um exemplo concreto das políticas de valorização", acessibilidade e ampliação do acesso ao patrimônio cultural promovidas no país.
A diretora do Parque Arqueológico, Federica Colaiacomo, também destacou a importância da iniciativa. Para ela, devolver ao público duas residências fechadas durante décadas significa não apenas abrir as portas de espaços extraordinários, mas também consolidar uma estratégia de preservação contínua.
"Com o Projeto Domus, consideramos as casas como partes de um patrimônio único a ser preservado e mantido ao longo do tempo", afirmou ela.
O projeto foi realizado em parceria com o Instituto de Humanidades Packard, por meio de uma colaboração público-privada que atua em Herculano há mais de 25 anos.
A arqueóloga Jane Thompson, responsável pela gestão da parceria histórica em nome da Fundação Packard, ressaltou a complexidade da intervenção.
Segundo ela, o trabalho exigiu um longo e meticuloso esforço de conservação, que levou em consideração não apenas os materiais da Antiguidade, mas também as restaurações realizadas durante as escavações a céu aberto conduzidas por Amedeo Maiuri.
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