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Seleção feminina do Irã deixa a Austrália sem as cinco jogadoras que pediram asilo

A seleção feminina de futebol iraniana deixou a Austrália nesta terça-feira (10), sem as cinco jogadoras que solicitaram e tiveram o pedido de asilo concedido pelo país. Elas foram chamadas de "traidoras" pelo regime iraniano porque não cantaram o hino nacional antes de uma partida da Copa da Ásia e corriam o risco de serem perseguidas se voltassem ao Irã.

10 mar 2026 - 13h15
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Segundo o canal australiano ABC, a delegação embarcou em Sydney e fez escala em Kuala Lumpur antes de seguir viagem de volta a Teerã.

O ministro do Interior da Austrália, Tony Burke, ao lado das cinco jogadoras iranianas que obtiveram asilo no país. À esquerda do ministro estão Fatemeh Pasandideh, Mona Hamoudi e Atefeh Ramezanizadeh. À direita estão Zahra Ghanbari e Zahra Sarbali.
O ministro do Interior da Austrália, Tony Burke, ao lado das cinco jogadoras iranianas que obtiveram asilo no país. À esquerda do ministro estão Fatemeh Pasandideh, Mona Hamoudi e Atefeh Ramezanizadeh. À direita estão Zahra Ghanbari e Zahra Sarbali.
Foto: © HANDOUT / AUSTRALIAN DEPARTMENT OF HOME AFFAIRS/AFP / RFI

A equipe retornou ao Irã sem as cinco atletas que solicitaram asilo e tiveram o pedido aprovado pelas autoridades australianas na segunda-feira. Entre elas está a capitã Zahra Ghanbari.

O ministro do Interior da Austrália, Tony Burke, explicou que a decisão foi tomada devido ao risco concreto de perseguição pelo regime iraniano. As cinco jogadoras deixaram o hotel onde estavam hospedadas na madrugada de segunda-feira (9).

A polícia australiana as levou a um local seguro. Burke informou à imprensa que aprovou os vistos humanitários na noite anterior.

"Elas podem permanecer na Austrália". Segundo o ministro, "estão protegidas e devem se sentir acolhidas no país".

Ato de desafio

As 26 integrantes da delegação iraniana chegaram à Austrália poucos dias antes dos bombardeios de Israel e dos Estados Unidos que resultaram na morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro.

No primeiro jogo da Copa da Ásia contra a Coreia do Sul, disputado na semana passada, dois dias depois do início do conflito, as jogadoras se recusaram a cantar o hino nacional. O gesto é considerado uma forma de contestação direta à República Islâmica.

Burke afirmou que o governo australiano manteve conversas reservadas com as atletas durante vários dias para concluir o processo dos pedidos de asilo.

Riscos de represália

Ao longo de segunda-feira, diversas organizações e personalidades internacionais, entre elas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o filho do último xá do Irã, Reza Pahlavi, e a escritora britânica J.K. Rowling, fizeram apelos ao governo australiano para que concedesse proteção às jogadoras.

Segundo Zaki Haidari, ativista da ONG Anistia Internacional, as atletas corriam risco real de perseguição e de sofrer represálias caso retornassem ao Irã. Haidari afirmou que algumas famílias possivelmente já haviam recebido ameaças.

A seleção feminina do Irã disputou a Copa da Ásia pela primeira vez em 2022, na Índia. As jogadoras se tornaram símbolos nacionais em um país onde os direitos das mulheres são severamente restringidos.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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