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Rússia inclui cineasta que ganhou Oscar com crítica a Putin em lista de "agentes estrangeiros" do Kremlin

O Ministério da Justiça da Rússia anunciou, nesta sexta-feira (26), que Pavel Talankin, diretor do documentário vencedor do Oscar "Um Zé ninguém contra Putin", foi incluído na lista de "agentes estrangeiros", rótulo usado pelo Kremlin para reprimir críticos do governo. Na véspera, um tribunal russo já havia proibido a exibição do filme em plataformas de streaming do país.

27 mar 2026 - 13h12
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Facilitador educacional e cinegrafista em uma escola da pequena cidade de Karabash, nos Urais, Talankin registrou, como parte de seu trabalho, a doutrinação cada vez mais agressiva de estudantes promovida pelas autoridades russas após a ofensiva iniciada na Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022.

Девід Боренштейн та Паша Таланкін позують з нагородою за документальний фільм «Пан Ніхто проти Путіна»
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Foto: © Suzanne Plunket / Reuters / RFI

Por ordem do presidente Vladimir Putin, todas as escolas do país passaram a adotar um novo currículo "patriótico". As crianças aprendem que a Ucrânia estaria repleta de "neonazistas", que as sanções impostas a Moscou teriam colocado as economias ocidentais de joelhos, além da história de diferentes armas de fabricação russa.

Talankin deixou o país no verão de 2024, em oposição ao conflito, levando consigo as imagens que deram origem ao documentário de 90 minutos, codirigido pelo cineasta americano David Borenstein. A obra recebeu o Oscar de Melhor Documentário em março deste ano.

Em comunicado divulgado junto à decisão, o Ministério da Justiça russo — sem mencionar o nome do filme — acusou Talankin, hoje com 35 anos, de "espalhar informações falsas sobre decisões e políticas das autoridades russas" e de se opor à ofensiva na Ucrânia.

Logo após a vitória no Oscar, um comitê de direitos humanos ligado à presidência russa acusou o documentário de usar imagens de menores sem consentimento dos pais. Com base nisso, um tribunal decidiu na quinta‑feira proibir sua exibição no país.

Indícios de propaganda

Na região de Chelyabinsk, onde o documentário foi gravado, a juíza Ksenia Bukharinova acatou o pedido do promotor Evguéni Toumchine e determinou que o filme fosse retirado de três plataformas de hospedagem de vídeos, incluindo a VK Video, muito popular na Rússia, segundo a imprensa local.

De acordo com a mídia independente SotaVision, a juíza também concluiu que o documentário continha "indícios de propaganda que transmitem uma atitude negativa em relação ao governo russo" e ao presidente Vladimir Putin, conforme registro em áudio de sua sentença divulgado pelo veículo.

A magistrada ainda observou que o cineasta aparece diante de uma bandeira azul, branca e azul — símbolo da oposição russa à ofensiva em larga escala contra a Ucrânia, mas também usada pela Legião da Liberdade Russa, organização considerada terrorista pelo governo de Moscou.

Questionado pela imprensa sobre o documentário, o Kremlin repetidamente evitou comentar. O filme tampouco foi incluído na lista de vencedores do Oscar publicada pela agência estatal russa RIA Novosti.

RFI e AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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