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Taliban barrou 2,4 milhões de meninas afegãs de frequentar escola desde 2021, diz Unesco

11 ago 2026 - 15h07
(atualizado às 15h32)
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O Taliban impediu o acesso de cerca de 2,4 ‌milhões de meninas afegãs ao ensino secundário desde que retomou o poder no Afeganistão em 2021, informou a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) na terça-feira.

O Taliban se prepara para marcar o quinto aniversário de seu retorno ao poder nesta semana, enquanto algumas nações ampliam laços com o governo, apesar das crescentes preocupações de organizações ⁠de direitos humanos.

O Afeganistão é o único país onde meninas e mulheres são formalmente proibidas de ‌frequentar o ensino secundário e superior, afirmou a Unesco em comunicado. A situação "corre o risco de condenar o Afeganistão a décadas de potencial perdido, aprofundamento da pobreza e danos ‌irreversíveis", disse a agência.

A Unesco estima que a proibição do ‌ensino secundário e superior para mulheres poderá levar 600 mil afegãs a abandonar ⁠o mercado de trabalho até 2066, resultar em uma perda acumulada de renda de 9,6 bilhões de dólares e aumentar o risco de casamento precoce.

O Ministério da Educação, controlado pelo Taliban, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

ESCOLAS FECHADAS PARA MENINAS EM 2022

Quando o Taliban retornou ao poder em 2021, em meio à retirada dos Estados Unidos e de seus aliados, ‌o grupo garantiu repetidamente à comunidade internacional que as mulheres continuariam livres para frequentar a escola ‌e estudar.

Apesar dessas promessas, as ⁠escolas de ensino secundário ⁠foram fechadas para meninas em março de 2022, seguidas pela proibição de mulheres estudarem em universidades em ⁠dezembro de 2022. O Taliban descreveu ambas as ‌proibições como temporárias, mas elas permanecem ‌em vigor.

As restrições impostas pelo Taliban também limitam o emprego e a liberdade de movimento das mulheres.

O Taliban argumenta que respeita os direitos das mulheres de acordo com sua interpretação da lei islâmica e da cultura afegã.

Espera-se também que as restrições ao ⁠acesso de mulheres ao ensino superior no Afeganistão agravem a escassez de professoras, visto que mais de 2 milhões de crianças do ensino fundamental já estão fora da escola por motivos distintos das proibições impostas a meninas e mulheres, informou a Unesco.

A Unesco estima que o Afeganistão terá um déficit de mais de ‌11 mil professoras qualificadas até 2030.

"Muitas professoras deixaram o país... e aquelas que estavam no sistema estão proibidas de continuar lecionando", afirmou Hoda Jaberian, coordenadora do programa da Unesco para ⁠educação em situações de emergência, em uma coletiva.

"Essa decisão de proibir as mulheres de darem aulas para meninos não só, é claro, retirou um número substancial de professoras e educadoras qualificadas do sistema educacional, mas também resultou em meninos sendo ensinados por professores homens não qualificados", acrescentou Jaberian. "Ficamos com professores homens não qualificados ou sem professores."

A Unesco informou que mais de 90% das crianças de 10 anos não conseguem ler um texto simples, com taxas nacionais de alfabetização de 37%.

Muitas escolas estão superlotadas e mal equipadas. Quase metade das escolas carece de água, saneamento ou aquecimento, informou a Unesco.

Somente em 2025, cerca de 3 milhões de pessoas retornaram ao Afeganistão, seja forçadamente ou voluntariamente, colocando ainda mais pressão sobre as escolas; e, desde 2021, desastres naturais, incluindo terremotos e inundações, forçaram o fechamento de 1.000 escolas, informou a Unesco.

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