Relatório da Federação Internacional dos Jornalistas mostra que 128 repórteres foram mortos no mundo em 2025
Cento e vinte e oito jornalistas foram mortos no mundo em 2025, sendo mais da metade no Oriente Médio, segundo um levantamento publicado nesta quinta-feira (1°) pela Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ).
Esse balanço, que indica um aumento em relação a 2024, "é um alerta vermelho global para nossos colegas", afirmou Anthony Bellanger, secretário-geral da FIJ, à AFP. A organização está particularmente preocupada com a situação nos territórios palestinos, onde 56 profissionais morreram ao longo do ano.
"Nunca vimos isso: em tão pouco tempo, tantas mortes, em um espaço tão reduzido", lamenta Bellanger. Jornalistas também foram vítimas este ano no Iêmen, na Ucrânia (incluindo o francês Antoni Lallican), no Sudão e na Índia.
A região das Américas contabilizou 11 assassinatos este ano. O Peru lidera a lista, com quatro profissionais mortos apenas em 2025. A situação no país é particularmente preocupante, já que o Peru não registrava crimes contra jornalistas por quase uma década.
No México houve três assassinatos e na Colômbia, Honduras e Equador houve um em cada país. Além disso, a FIJ contabilizou seis jornalistas presos nas Américas, sendo quatro na Venezuela.
#URGENT Today, we launched our final list of 128 journalists and media professionals killed in 2025, including 10 women and 9 accidental deaths
The three deadliest countries:
🇵🇸 Palestine: 56
🇾🇪 Yemen: 13
🇺🇦 Ukraine: 8#IFJKL25https://t.co/AJndFssTEP pic.twitter.com/qBL8gm1a3n
— IFJ (@IFJGlobal) January 1, 2026
'Crise mundial'
Segundo o secretário-geral da organização, Anthony Bellanger, "128 profissionais mortos em um único ano não é apenas uma estatística, é uma crise mundial".
"Essas mortes nos lembram brutalmente que os jornalistas são alvos, em total impunidade, simplesmente porque fazem seu trabalho", acrescentou ele em comunicado publicado no site da Federação.
"Os governos devem agir agora para proteger os profissionais da mídia, levar os assassinos à justiça e defender a liberdade de imprensa. O mundo não pode mais esperar: é hora de adotar uma convenção das Nações Unidas que garanta a segurança e a independência dos jornalistas no cenário global", declarou Bellanger.
A FIJ também alerta para o número de repórteres presos em todo o mundo, contabilizando 533 no total, sendo mais de um quarto deles na China e em Hong Kong.
Devido a divergências no método de cálculo, a Federação Internacional dos Jornalistas geralmente publica um balanço anual mais elevado do que o da ONG Repórteres Sem Fronteiras, que registrou 67 profissionais mortos em 2025.
A FIJ inclui, por exemplo, os que morreram em acidentes. No seu site, a Unesco contabiliza até agora 93 jornalistas mortos no mundo em 2025.
Com agências