Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Reino Unido se prepara para escassez de comida causada por guerra no Irã

O Reino Unido pode enfrentar falta de alimentos nos próximos meses, segundo cenários de pior caso projetados por autoridades do governo do país.

16 abr 2026 - 16h03
Compartilhar
Exibir comentários
Mulher observa pacotes de frango no supermercado
Mulher observa pacotes de frango no supermercado
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O Reino Unido poderá enfrentar escassez de alimentos nos próximos meses, incluindo carne de frango e porco, caso a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã prossiga em um cenário de pior caso, conforme avaliado pelas autoridades do governo do país.

Uma fonte declarou à BBC que o governo britânico estuda um cenário que envolveria o fechamento contínuo do estreito de Ormuz e o colapso do fornecimento de dióxido de carbono. O CO₂ é empregado no abate de certos animais e na preservação de alimentos.

Um porta-voz do Departamento do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais afirmou que o órgão continuará a trabalhar em conjunto com as empresas para combater os impactos da guerra.

"Os cenários de pior caso razoáveis são uma ferramenta de planejamento empregada pelos especialistas, não uma previsão de eventos futuros", destacou ele.

Líderes do setor alimentício indicaram que sua maior preocupação é com os possíveis aumentos de preços, mais que com a escassez.

O Conselho Aviário Britânico declarou estar "tranquilizado" com o estabelecimento de contingências para o CO₂ por parte do governo britânico, caso os efeitos da guerra se estendam a este ponto.

"Nossos membros não relataram dificuldades até aqui, mas estamos acompanhando de perto a situação", segundo o executivo-chefe da organização, Richard Griffiths.

Já o Consórcio Varejista Britânico afirmou esperar que o governo "esteja elaborando planejamento de contingência para todos os cenários".

O organismo destacou que os varejistas têm experiência na administração de interrupções da cadeia de abastecimento.

"Mas a situação no Oriente Médio continua a aumentar as pressões inflacionárias, em um momento em que os varejistas já enfrentam aumentos significativos de custos com as políticas domésticas", segundo o consórcio.

Em entrevista à rede de TV britânica Sky News, o secretário britânico dos Negócios, Peter Kyle, afirmou que a disponibilidade de dióxido de carbono não é uma preocupação para a economia britânica "por enquanto".

"Neste momento, as pessoas devem ficar onde estão", declarou ele.

O diretor da rede varejista britânica Tesco, Ken Murphy, afirmou que não há problemas de disponibilidade de alimentos, depois da publicação dos planos de contingência pelo jornal britânico The Times.

Segundo ele, até agora, nenhum dos seus produtores, fornecedores e fabricantes elevou seus riscos de abastecimento.

"Não estamos observando nenhum problema na nossa cadeia de abastecimento por enquanto", segundo Murphy. "Não observamos problemas de disponibilidade. Estamos em uma posição muito boa."

Ele não comentou sobre o que pode acontecer com os preços dos alimentos. "Não sabemos o que irá acontecer, pois claramente esta é uma situação volátil e imprevisível."

Os preços da gasolina e do óleo diesel dispararam desde que os Estados Unidos e Israel lançaram amplos ataques ao Irã, no dia 28 de fevereiro, e o Irã bloqueou efetivamente o estreito de Ormuz, uma via fundamental para o transporte de petróleo e gás.

O bloqueio iraniano levou ao aumento global dos custos de combustíveis e fertilizantes, que são insumos fundamentais para a produção de alimentos.

Em março, o governo britânico decidiu beneficiar os estoques críticos de dióxido de carbono do país, religando temporariamente a usina de bioetanol Ensus, que estava inativa desde setembro.

A indústria fabrica bioetanol, que produz CO₂. Ela foi fechada quando o governo britânico fechou um acordo comercial com os Estados Unidos, para retirar a tarifa de importação sobre o etanol americano no Reino Unido.

Um porta-voz da Ensus declarou à BBC que "estamos confiantes de poder continuar produzindo CO₂ para atender às necessidades do país no futuro próximo".

O presidente da Comissão Nacional de Prontidão, Toby Harris, afirmou que o panorama mundial significa que "precisamos nos preparar para o inesperado".

"A probabilidade é que os choques deste tipo se tornarão mais comuns e frequentes no futuro. Por isso, quanto mais testarmos como iremos administrar diversos tipos de cenário, melhor", declarou ele à BBC Rádio 4.

O editor de comércio internacional da revista The Grocer, Kevin White, chamou o uso de CO₂ na cadeia de abastecimento de alimentos de "o insumo que ninguém conhece, nem se preocupa com ele, até que algo dá errado".

Ele declarou à BBC que é "a inflação dos alimentos é praticamente inevitável".

"Fornecedores, agricultores, transportadores... operadores logísticos, eles têm uma margem estreita e, realmente, não podem absorver grandes choques de preços. É isso que causa inflação."

"Sem alarmismo, acho que é quase inevitável que os choques dos preços da energia e a interrupção da cadeia de abastecimento que estamos observando... irão meio que alimentar a inflação dos alimentos e bebidas", destacou White.

No início da semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a guerra poderá fazer a economia mundial mergulhar na recessão. E o Reino Unido seria o país mais atingido, dentre as economias mais avançadas do mundo.

A União Nacional dos Agricultores do Reino Unido declarou que o preço do pepino e do tomate no país poderá aumentar nas próximas seis semanas e que o custo de outros produtos e do leite deve subir nos próximos três a seis meses.

Já a Federação de Alimentos e Bebidas britânica afirmou à BBC que sua previsão é que a inflação dos alimentos atinja pelo menos 9% até dezembro deste ano.

O chefe do setor de fertilizantes da Confederação das Indústrias Agrícolas (AIC, na sigla em inglês), Jo Gilbertson, alertou que, se os agricultores deixarem de fazer pedidos antecipados de fertilizantes devido ao aumento dos preços, poderá haver impactos sobre as "decisões de plantio no outono" do hemisfério norte.

"É assim que haverá uma possível crise alimentar, se o custo do fertilizante e do combustível for alto demais", declarou ele à BBC.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que as discussões para o fim da guerra no Irã poderão ser retomadas esta semana, após o colapso das negociações do último fim de semana, que levou os Estados Unidos a bloquear os portos iranianos.

Na quarta-feira (15/4), a encarregada do Tesouro britânico, Rachel Reeves, afirmou que os Estados Unidos cometeram um "erro" ao pôr fim às negociações diplomáticas com o Irã e dar início ao conflito militar.

Com colaboração de Rachel Flynn.

BBC News Brasil BBC News Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC News Brasil.
Compartilhar

Comentários

As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra