Putin coloca ativos da Nestlé e da Auchan na Rússia sob administração temporária
O presidente Vladimir Putin colocou os ativos da Nestlé e da Auchan na Rússia sob gestão temporária da empresa L.E.V. Management, após solicitação ligada à decisão da fabricante suíça de congelar investimentos e exportações locais. A medida reflete o maior controle de Moscou sobre companhias estrangeiras de nações consideradas hostis desde o início da guerra na Ucrânia, mecanismo que pode levar à troca de propriedade e que já atingiu subsidiárias de outros grupos, como Danone e Carlsberg.
O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou que os ativos na Rússia do grupo alimentício suíço Nestlé e do grupo francês de supermercados Auchan fossem colocados sob administração temporária, de acordo com um decreto presidencial publicado nesta quinta-feira.
O decreto indica que os ativos da Nestlé e da Auchan na Rússia foram transferidos para a administração temporária da L.E.V. Management.
Anteriormente, o jornal Kommersant havia noticiado que uma empresa conhecida como KS Logistika havia solicitado a Putin que colocasse os ativos da Nestlé sob administração temporária.
O Kommersant, citando uma fonte a par do assunto, informou que o pedido abrangia cinco entidades de propriedade da Nestlé na Rússia e poderia, em teoria, resultar em uma mudança de propriedade.
A Nestlé informou à Reuters que não havia sido contatada pelas autoridades russas a respeito do pedido. A empresa afirmou que continuava operando seus escritórios e fábricas na Rússia, cumprindo todas as exigências regulatórias.
A KS Logistika registrou receita de 1,6 milhão de rublos (US$18.735) em 2025 e acredita-se que represente interesses de terceiros, informou o jornal, sem dar mais detalhes.
A Reuters não conseguiu verificar essas informações de forma independente.
A Rússia reforçou o controle sobre ativos de propriedade estrangeira desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. De acordo com um decreto assinado por Putin em 2023, Moscou tem o poder de colocar ativos de países que considera "hostis" sob administração temporária.
Esse mecanismo já foi utilizado anteriormente para assumir o controle das subsidiárias russas de empresas como a Danone e a Carlsberg. A Nestlé continuou operando na Rússia, argumentando que, como produtora de alimentos, fornece bens essenciais.
De acordo com a fonte do Kommersant, o pedido decorre da decisão da Nestlé de não expandir a capacidade de produção na Rússia e de interromper as exportações de produtos fabricados em suas fábricas russas.
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