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Protestos na França começam sob forte esquema de segurança

24 out 2026 - 11h23
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Resumo
Sob forte esquema de segurança com 70 mil policiais, a França registrou novos protestos contra o custo de vida neste sábado. Para conter a violência e saques vistos na semana anterior, autoridades prenderam 135 pessoas e usaram gás lacrimogêneo em Lyon. Em Paris, o clima foi de bloqueio, com mais de 20 estações de metrô fechadas, comércio blindado e museus como o Louvre interditados. Os atos também miraram o avanço da extrema direita, após um ataque a tiros elevar a tensão no país.

Manifestantes se reuniram em Paris e ‌em cidades de toda a França neste sábado, sob a vigilância de 70 mil policiais, enquanto o governo tentava evitar a repetição dos distúrbios e saques que sacudiram o país no fim de semana passado.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, disse que 135 pessoas haviam sido presas em todo o país até o início da tarde, muitas após revistas preventivas que encontraram fogos de artifício, rolamentos de esferas ⁠e outros objetos que poderiam ser usados como armas.

"Temos que ser extremamente ágeis. Recebemos muitos avisos sobre ‌desordem, tanto de grupos políticos quanto, simplesmente, de criminosos", disse aos jornalistas. "Vai ser um dia longo."

Enquanto o início da principal marcha em Paris transcorria de forma pacífica, a polícia usou gás lacrimogêneo contra multidões ‌em Lyon, a terceira maior cidade da França.

O governo mobilizou ‌10 mil policiais e gendarmes a mais do que em 17 de outubro, dia em que ⁠protestos contra o custo de vida e a deterioração dos serviços públicos se transformaram em alguns dos piores distúrbios que a França viu em anos.

LOJAS E MUSEUS FECHADOS

Grande parte do centro de Paris parecia uma cidade em lockdown, com lojistas fechando as vitrines com tapumes, museus com as portas fechadas e mais de 20 estações de metrô interditadas.

Entidades empresariais pediram que os varejistas permanecessem fechados depois que milhares de ‌lojas e negócios foram danificados ou saqueados em toda a França no fim de semana passado.

"Quase não há ‌clientes, então não vale a pena ⁠ficar aberto", disse Oskar, ⁠gerente de uma boutique Kiton em Paris.

Vários dos mais conhecidos centros culturais da capital, incluindo o Louvre, o Musée ⁠d'Orsay e a Ópera de Paris, fecharam como precaução, deixando ‌os turistas frustrados.

"Está tudo fechado com ‌tapumes e não sabemos bem para onde ir", disse Xavier Dolliole, turista da cidade norte-americana de Nova Orleans.

A rota da principal manifestação em Paris só foi definida após uma batalha judicial, desencadeada por uma ordem policial de última hora que afastava os organizadores do centro da cidade ⁠em direção às regiões do sudeste da capital. A polícia argumentou que o trajeto original passava por áreas com alta concentração de empresas semelhantes às atacadas no fim de semana passado. Líderes de esquerda disseram que a mudança tardia tinha como objetivo causar confusão e afastar as pessoas.

"Mais uma vez, os que estão no poder criam transtornos para as marchas ‌e prazos impossíveis para que as organizações se reorganizem", disse o líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon, que se juntou aos manifestantes nas ruas de Paris.

PARTIDO DE EXTREMA DIREITA REALIZA CONGRESSO

Muitos manifestantes acusaram o ⁠governo de reagir de forma exagerada, com soldados enviados para patrulhar a Champs-Élysées. "Choramos pelas lojas, não pelas pessoas que são empobrecidas o ano todo", disse Clara Lebbadi, estudante de artes de 22 anos.

"Minha amiga e eu quase não viemos porque estávamos com medo, mas viemos justamente porque é importante não deixar a repressão vencer", acrescentou.

A primeira marcha autorizada neste sábado transcorreu pacificamente em Orléans, a cerca de 120 km ao sul de Paris, onde manifestantes protestaram contra o Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen, que realizava um congresso partidário na cidade.

As tensões aumentaram após tiros na sexta-feira a oeste de Paris, quando um atirador, suspeito de agir por ódio islamofóbico, matou uma pessoa e feriu outras quatro, entre elas uma menina de 12 anos.

"Viemos dizer à extrema direita, cara a cara, que não temos medo", disse Bally Bagayoko, prefeito de Saint-Denis e membro do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI).

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