Protestos estudantis na França são marcados por confrontos e prisões
Governo informou que pelo menos 6,5 mil pessoas foram detidas
Milhares de pessoas foram às ruas na França contra a falta de verbas na educação pública, em atos marcados por confrontos com a polícia, escolas fechadas e feridos graves. Apenas nesta terça-feira, quase 500 pessoas foram detidas, elevando o total a 6,5 mil presos. O movimento reuniu estudantes, pais e políticos. Enquanto o governo francês condenou a violência e prometeu diálogo e apuração de abusos policiais, o ex-presidente dos EUA Donald Trump associou a crise à imigração.
Milhares de manifestantes foram às ruas de diversas cidades da França nesta terça-feira (6) para participar de um amplo protesto estudantil, que resultou em diversos detidos e feridos em virtude dos confrontos com as forças de segurança.
As mobilizações, convocadas para protestar contra a falta de recursos na educação pública, causaram transtornos em todo o país e forçaram o fechamento de centenas de instituições de ensino devido aos distúrbios.
Apenas hoje, quase 500 pessoas foram presas no terceiro dia consecutivo de protestos, enquanto pouco mais de 40 agentes ficaram feridos. De acordo com o governo francês, o número acumulado de manifestantes detidos ao longo do movimento já chega a 6,5 mil.
Os confrontos estenderam-se por mais de uma hora, com manifestantes arremessando pedras e incendiando lixeiras em resposta ao uso de gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral pela polícia. Segundo as autoridades, 56 mil pessoas participaram dos atos na capital Paris.
Além de estudantes, o ato reuniu políticos, sindicalistas, personalidades culturais e muitos pais de alunos em solidariedade aos professores. A marcha partiu da Place de la République, onde os manifestantes formaram um cordão humano ao longo do percurso. A mobilização em Paris contou com a presença do líder de esquerda Jean-Luc Mélenchon e do prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko.
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, condenou os episódios de violência nas manifestações e garantiu que eventuais abusos policiais serão apurados. O chefe de governo também apelou à "responsabilidade individual, inclusive dos menores", e prometeu abrir diálogo sobre as reivindicações do setor.
O clima já era de extrema tensão no início do dia. Na véspera, em Lens, no norte da França, um estudante teve a mão amputada ao ser atingido por uma granada de efeito moral. O caso somou-se a outro incidente grave registrado dias antes, quando um manifestante foi atingido no rosto por uma bomba de gás disparada à queima-roupa por um policial.
A onda de protestos também repercutiu internacionalmente. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou as redes sociais para associar as manifestações à questão migratória.
"O que está acontecendo na França é consequência direta da imigração em massa descontrolada. Não se trata de escolas, trata-se da expansão do Islã em um país que outrora foi grandioso", declarou o republicano. .
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