Projeto de resort de luxo de grupo brasileiro gera protestos no sul da Itália
Mobilização foi marcada para o próximo dia 1º de julho, antes de audiência judicial
A construção de um complexo turístico de luxo na área de Cala Finanza, em frente à ilha de Tavolara, na Sardenha, por um grupo brasileiro virou centro de um debate no sul da Itália e provocou forte oposição de movimentos ambientalistas, moradores e autoridades regionais.
Um protesto foi marcado para a próxima quarta-feira (1º), enquanto decisões políticas e judiciais devem definir os rumos do empreendimento nos próximos dias.
Sob o lema "Cala Finanza não pode ser tocada", o movimento independentista da Sardenha "Liberu" lidera a mobilização contra o projeto da empresa Tavolara Bay S.r.l., pertencente ao grupo brasileiro JHSF Participações, controlador da rede hoteleira de luxo Fasano.
O empreendimento imobiliário está previsto para ocupar uma área à beira-mar de aproximadamente 50 hectares entre Cala Finanza e Punta La Greca, uma região de elevado valor ambiental localizada em frente à ilha de Tavolara.
O plano inclui um hotel cinco estrelas com 50 quartos, 30 vilas de alto padrão entre 200 e 500 metros quadrados, restaurantes, instalações comerciais e turísticas, uma marina e um campo de golfe.
Segundo os opositores, o projeto representa uma ameaça ao patrimônio natural da costa da Sardenha e, portanto, um protesto foi marcado para 1º de julho, a partir das 10h (horário local), na praia de Cala Finanza.
"O destino de toda a Sardenha está em jogo em Cala Finanza. Esta é uma batalha por todo o povo sardo e pela defesa de todo o litoral da ilha", afirmam representantes do movimento Liberu.
O projeto foi aprovado pelo governo italiano por meio dos procedimentos ligados à Zona Econômica Especial (ZES), que autoriza a mudança de uso de uma construção existente para restaurante e a implantação de um complexo de "glamping" com cabanas removíveis.
No entanto, a iniciativa ganhou repercussão após ser denunciada pelo Grupo de Intervenção Jurídica (GrIG), organização ambiental que passou a liderar campanhas de conscientização ao lado de um comitê de cidadãos de Loiri Porto San Paolo. Petições online contra o projeto já ultrapassaram a marca de 100 mil assinaturas.
Inclusive, a região da Sardenha contestou a autorização concedida pelo governo central e apresentou recurso ao Tribunal Administrativo Regional (TAR). Uma audiência foi marcada para o próximo dia 8 de julho.
A expectativa é de que, nesta terça-feira (30), a Câmara Municipal de Loiri Porto San Paolo analise a revogação, por iniciativa da própria administração, de uma resolução aprovada por unanimidade em novembro de 2025.
O ato alterava o enquadramento urbanístico da área de Cala Finanza, transformando-a de "zona H", de proteção absoluta, para "zona F2", destinada a intervenções turísticas de baixo impacto, sem previsão de aumento dos volumes edificáveis ou criação de novas áreas de construção.
Além disso, os brasileiros haviam recebido sinal verde do Conselho de Ministros para um projeto inicial de desenvolvimento em cerca de 10 hectares ao redor da antiga residência Villa Leone.
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