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Produção de vinho na França cai para uma das mais baixas em 30 anos após ondas de calor

7 set 2026 - 13h40
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Resumo
A França prevê uma das menores safras de vinho em 30 anos, com estimativa de 33,9 milhões de hectolitros em 2026, queda de 6% ante 2025. O recuo decorre de seca e calor recorde, que afetaram videiras e anteciparam a colheita, reduzindo a produção de champanhe quase pela metade. O setor também enfrenta baixa histórica de consumo, tarifas e redução de vinhedos. Para mitigar os impactos climáticos na agricultura, o governo francês anunciou um pacote emergencial superior a 1 bilhão de euros.

A França deverá registrar ‌uma das menores produções de vinho das últimas três décadas, com a produção de champanhe prevista para cair pela metade este ano, depois que o calor intenso e a seca danificaram as videiras e as uvas, informou o Ministério da Agricultura nesta segunda-feira.

O segundo maior produtor mundial de vinho registrou seu verão mais quente ⁠até então em 2026, enquanto cientistas afirmam que as mudanças climáticas causadas pelo homem tornam ‌eventos climáticos extremos mais intensos e frequentes, e a Europa passa pelo aquecimento mais rápido entre todos os continentes.

Na sequência da baixa produção em 2024 e ‌2025, a França tinha uma projeção de produzir ‌33,9 milhões de hectolitros de vinho em 2026, o equivalente a cerca de ⁠4,5 bilhões de garrafas padrão. Esse volume seria 6% inferior ao do ano passado e 17% abaixo da média do período de 2021 a 2025.

O ministério afirmou que as condições no início do ano haviam sido favoráveis, mas que a seca e as ondas de calor do verão danificaram as videiras e reduziram os rendimentos.

A ‌maioria dos produtores de vinho na França, assim como em outros países europeus, iniciou ‌a colheita das uvas excepcionalmente ⁠cedo este ano, ⁠informou o ministério.

A França é tradicionalmente o segundo maior produtor mundial de vinho, atrás apenas da ⁠Itália, e o maior exportador em valor.

Além ‌do desafio climático, o setor ‌foi afetado no ano passado pelas tarifas dos EUA, e o consumo está no nível mais baixo em mais de 60 anos, já que pressões econômicas, mudanças nos gostos e preocupações com a saúde têm afastado os consumidores.

AGRICULTURA ⁠FRANCESA É DURAMENTE ATINGIDA

A produção de vinho na região de Champagne deve cair 49% em relação a 2025 e ficar 47% abaixo da média de cinco anos.

Prevê-se que a região de Borgonha-Beaujolais registre uma queda de um terço, enquanto o Vale do Loire e Charentes devem apresentar ‌quedas de 12% e 6%, respectivamente.

A produção em Languedoc-Roussillon, região que mais produz vinho na França, deve aumentar 5% em relação à fraca safra do ano passado, ⁠graças à melhora nos rendimentos, embora a produção tenha permanecido abaixo da média.

Espera-se que Bordeaux se recupere em 10% em relação a 2025, depois que as chuvas no final de agosto ajudaram a compensar o estresse causado pela seca, mas a produção permanece bem abaixo da média de cinco anos.

A área de produção foi 2,5% menor este ano em comparação com o ano passado, já que o excesso de oferta diante da queda no consumo levou os produtores de vinho a arrancar uma parte de seus vinhedos.

A agricultura francesa de forma geral foi afetada pelas ondas de calor recordes e pela falta de chuva deste verão.

A França anunciou na sexta-feira um pacote de ajuda de emergência para os agricultores de mais de 1 bilhão de euros.

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