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Procuradoria Antiterrorismo da Itália abre inquérito sobre ameaças a voos

Investigadores suspeitam de ação coordenada por trás de alertas de bomba

6 nov 2026 - 14h06
(atualizado às 15h01)
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Resumo
A Procuradoria Antiterrorismo da Itália abriu inquérito para apurar uma possível ação coordenada por trás de mais de 20 falsas ameaças de bomba contra voos na Europa nesta semana, metade envolvendo aeroportos italianos. Os alertas provocaram desvios e escoltas militares, mas nenhum explosivo foi achado. Mensagens ligaram os atos ao grupo extremista russo Estado Masculino, que nega envolvimento. A Irlanda também registrou ameaças à imprensa e a União Europeia debate o caso na próxima semana.

A Procuradoria Nacional Antimáfia e Antiterrorismo da Itália abriu nesta sexta-feira (6) uma investigação sobre as ameaças de bomba que atingiram diversos voos com destino ou origem no país nesta semana.

O departamento recebeu informações sobre o caso da Agência Nacional de Segurança Cibernética (ACN) e vai apurar uma possível ação coordenada por trás dos falsos alertas que provocaram desvios de rotas aéreas e transtornos em aeroportos nos últimos dias.

Desde o início da semana, mais de 20 voos na Europa foram alvos de ameaças de bomba, incluindo mais de 10 envolvendo aeroportos italianos.

Apenas nesta sexta, dois voos com origem ou destino na Itália receberam alertas de explosivos. Um deles, operado pela companhia húngara Wizz Air, fazia a rota entre Praga, na República Tcheca, e Roma, mas foi desviado para Veneza. O outro, da empresa irlandesa Ryanair, viajava entre a capital italiana e Lisboa, em Portugal.

Em nenhum dos casos foram encontradas bombas a bordo, assim como nos mais de 20 voos afetados na Europa nesta semana, englobando também países como Irlanda, França, Finlândia, Romênia, Espanha e Bulgária.

Na última quinta (5), pelo menos dois casos foram associados a um e-mail enviado à empresa que administra o Aeroporto de Roma-Fiumicino por um grupo que se autointitula "Estado Masculino".

O nome remete ao movimento de extrema direita russo "Muzhskoye Gosudarstvo", fundado em 2016 e banido na Rússia em 2021 por "extremismo", e a mensagem citava supostas bombas em aviões da Finnair e da Aer Lingus que haviam partido, respectivamente, de Helsinque, na Finlândia, e Dublin, na Irlanda.

O primeiro chegou a ser desviado para uma base militar na França, e ambos foram escoltados por caças até a aterrissagem.

Procurado pela emissora britânica BBC nesta sexta, o Muzhskoye Gosudarstvo (que significa "Estado Masculino" em russo) negou qualquer envolvimento com as falsas ameaças.

"Mas qual Estado Masculino? Onde vocês viram isso? Não existe mais há vários anos", disse uma conta no Telegram associada ao movimento, que foi fundado por Vladislav Pozdnyakov e ganhou notoriedade por conta de atividades misóginas e racistas online.

Já o jornal Financial Times publicou uma suposta mensagem de reivindicação anônima enviada a vários veículos de imprensa.

"Este é apenas o início. O que aconteceu nesta semana é somente uma pequena parte do que a Europa aguarda no futuro próximo. Muito em breve explodiremos seus aviões, navios de cruzeiro, estações de metrô e trens", diz o texto, cuja autenticidade ainda não foi verificada.

Além dos voos, diversos meios de comunicação da Irlanda foram evacuados nesta sexta-feira devido a ameaças de atentados terroristas, incluindo a emissora de TV pública RTÉ, o canal privado Virgin Media, as rádios Newstalk e Today FM e o jornal Irish Independent.

O primeiro-ministro Micheál Martin afirmou que a polícia e os militares estão investigando os episódios e indicou a suspeita de que os alarmes sejam fruto de uma "ação coordenada".

"As forças de polícia, em colaboração com o Ministério da Defesa e nossas autoridades de segurança cibernética, estão trabalhando para identificar os responsáveis", declarou o premiê.

Enquanto isso, a União Europeia deve realizar na semana que vem uma reunião de especialistas de segurança aérea dos 27 Estados-membros para discutir eventuais medidas contra as ameaças. "Nossas prioridades estão claras: a segurança dos passageiros e o pleno funcionamento do tráfego", disse o comissário de Transportes da UE, Apostolos Tzitzikostas.

Ansa - Brasil
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