Primeiro‑ministro esloveno dá início a negociações para formar nova maioria parlamentar
O primeiro‑ministro esloveno, Robert Golob, convidou nesta segunda‑feira (23) todos os partidos representados no Parlamento para negociações com o objetivo de formar uma coalizão, um dia após as eleições legislativas em que seu partido liberal venceu por uma margem estreita o conservador pró‑Trump, Janez Janša.
Com apenas 28,62% dos votos e 29 dos 90 assentos da assembleia do país de 2,1 milhões de habitantes, membro da União Europeia, o Movimento pela Liberdade (GS), de Golob, de 57 anos, não tem condições de governar sozinho.
O restante das cadeiras está distribuído entre uma série de cinco pequenos partidos, o que leva analistas a preverem dificuldades para formar um governo estável.
"Mas não negociaremos nossa soberania. Não deixaremos que estrangeiros decidam sobre nossa soberania", acrescentou.
Os últimos dias da campanha foram marcados por acusações de ingerência estrangeira. As autoridades anunciaram uma investigação para determinar se a empresa privada israelense de inteligência Black Cube está por trás da divulgação de gravações de conversas entre um lobista, um advogado e um ex‑ministro.
Essas gravações sugerem possíveis casos de corrupção no governo que está deixando o poder, com o suposto objetivo de influenciar a eleição em favor de Janša.
Este último reconheceu ter se encontrado com um dos responsáveis da Black Cube, mas negou qualquer envolvimento na publicação dos vídeos.
Sem contestar os resultados, Janez Janša, de 67 anos, anunciou no domingo que suas equipes irão "recontar cada voto em todas as seções eleitorais". "A Eslovênia merece estabilidade, mas duvido que a obtenha diante desses resultados", afirmou.
'O mais rápido possível'
O presidente francês Emmanuel Macron parabenizou Golob por sua vitória, "que demonstra a confiança dos eslovenos em um rumo europeu, democrático e progressista", segundo mensagem publicada no X.
A presidente eslovena, Nataša Pirc Musar, também o felicitou e pediu que todos os partidos "se sentem à mesa de negociações o mais rápido possível".
Um partido antissistema e um partido conservador fundado pelo ex‑aliado de Janša, Anže Logar, conseguiram entrar no Parlamento do país.
Após as eleições de abril de 2022, Robert Golob — que havia conquistado 41 assentos — formou uma coalizão com os sociais‑democratas (7 assentos) e com a esquerda (5 assentos), garantindo uma confortável maioria de 53 cadeiras.
Na capa de sua edição desta segunda‑feira, o jornal Dnevnik avaliou que Golob não terá outra escolha senão negociar com Anže Logar, classificando o resultado como uma vitória com gosto de derrota.
Na legislatura anterior, Golob contava com uma ampla maioria de 53 assentos, dos quais 41 pertenciam ao seu partido.
O primeiro-ministro, que foi excutivo de uma empresa pública de energia, havia sucedido Janez Janša em 2022, cujo terceiro mandato foi marcado por confrontos com a UE e por tentativas de pressionar a mídia, alimentando críticas sobre uma deriva iliberal ao estilo de Viktor Orbán, de quem é próximo.
Desde então, Robert Golob implementou um programa centrado na inclusão social e também legalizou o casamento e a adoção por casais do mesmo sexo.
No plano internacional, criticou firmemente a guerra da Rússia contra a Ucrânia — um dos poucos pontos em comum com Janša —, as ambições americanas sobre a Groenlândia e foi um dos raros países da UE a qualificar a guerra de Israel em Gaza como "genocídio".
Com AFP