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Presidente do Paraguai apresenta renúncia após crise de banco digital

Santiago Peña disse que tomou decisão para 'preservar as instituições e a paz social'

5 nov 2026 - 13h47
(atualizado às 13h56)
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Resumo
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou após a quebra do banco digital Ueno afetar três milhões de correntistas e fundos de pensão públicos. Isolado politicamente e ameaçado por um processo de impeachment apoiado até por sua base, Peña deixou o cargo em meio a protestos populares e acusações de desvio e conflito de interesses. A intervenção e liquidação da instituição financeira pelo Banco Central também provocou a renúncia do presidente da autoridade monetária, Carlos Carvallo.

Com o Paraguai mergulhado em sua pior crise institucional em anos, o presidente do país, Santiago Peña, apresentou sua renúncia ao cargo em meio a um escândalo envolvendo a quebra do banco Ueno, que afetou as economias de aproximadamente três milhões de correntistas.

Santiago Peña disse que tomou decisão para 'preservar as instituições e a paz social'
Santiago Peña disse que tomou decisão para 'preservar as instituições e a paz social'
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"Tomei a decisão de apresentar minha renúncia com o objetivo de preservar as instituições e a paz social", escreveu o mandatário em suas redes sociais.

O chefe de Estado, que estava a um passo do impeachment e havia ficado politicamente isolado, com seu próprio partido tendo aderido à moção de destituição apresentada pela oposição, pediu desculpas aos cidadãos pela crise bancária.

"Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim", acrescentou.

Exigências pela renúncia imediata de Peña haviam partido de diversos setores da sociedade civil e de milhares de usuários do banco que, nas últimas horas, tomaram as ruas contra o congelamento de seus ativos bancários.

A denúncia da oposição acusa Peña de "desempenho inadequado de suas funções", com base em graves acusações que vão desde conflito de interesses e suposto desvio de fundos de pensão até o acobertamento institucional do banco central.

Na última terça-feira (3), a instituição financeira, maior emissora de cartões de crédito do Paraguai, paralisou seus sistemas digitais e deixou de exibir os saldos dos correntistas. O Banco Central do Paraguai (BCP), por sua vez, decretou intervenção no Ueno e deu início ao seu processo de liquidação extrajudicial.

O colapso da instituição, que administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, gerou um terremoto político. O pânico financeiro intensificou-se pelo fato de o banco gerir a folha do Instituto de Previsión Social (IPS), responsável pelos fundos de pensão e cobertura de saúde dos trabalhadores do país.

Conservador, o presidente paraguaio, que também é economista, foi acionista do Grupo Vázquez. Como desdobramento imediato da crise, o presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia ao cargo. Em nota, a autoridade monetária assegurou que o colapso do Ueno trata-se de um caso isolado e ressaltou a higidez do restante do sistema financeiro nacional. .

Ansa - Brasil
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