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Presidente da Sérvia chama tribunal da ONU de "incivilizado" pela forma como lidou com morte de Mladic

28 ago 2026 - 13h18
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Resumo
O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, chamou de "incivilizado" o tribunal da ONU por negar que o ex-comandante Ratko Mladic morresse em seu país de origem. Condenado à prisão perpétua por genocídio na Guerra da Bósnia, Mladic faleceu aos 83 anos em Haia. O governo sérvio aguarda a liberação dos restos mortais para sepultamento, enquanto o órgão internacional investiga as circunstâncias da morte do ex-general, cuja trajetória segue dividindo sobreviventes de massacres e apoiadores locais.

O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, acusou nesta ‌sexta-feira um tribunal de crimes de guerra da ONU de "comportamento incivilizado" por não ter permitido que o ex-comandante do Exército sérvio-bósnio, Ratko Mladic, morresse na Sérvia, e afirmou que Belgrado ainda aguarda uma resposta sobre se o corpo será devolvido.

Mladic, que cumpria pena de prisão perpétua após ter sido condenado por genocídio, crimes contra a humanidade ⁠e crimes de guerra cometidos durante a guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995, ‌morreu na quinta-feira em um centro de detenção da ONU em Haia. Ele tinha 83 anos.

"Não recebemos nada de Haia", disse Vucic aos repórteres, acrescentando que as ‌autoridades sérvias ajudariam a providenciar um enterro digno para ‌Mladic na Sérvia, caso sua família solicite.

No mês passado, o tribunal negou ⁠o pedido de Mladic para que lhe fosse permitido retornar à Sérvia para morrer. O tribunal afirmou que seu estado de saúde era precário, mas estável e bem controlado no centro de detenção.

"Vimos agora que Haia queria que Mladic morresse atrás das grades", disse Vucic. "Eles não permitiram que o general morresse na Sérvia, onde ele queria ‌morrer. Esse é um comportamento incivilizado, sem precedentes nem justificativa."

O órgão da ONU encarregado de ‌supervisionar os casos pendentes do ⁠tribunal de crimes ⁠de guerra da Iugoslávia não respondeu às perguntas da Reuters sobre uma possível transferência dos restos ⁠mortais de Mladic para a Sérvia.

A mídia sérvia ‌informou que Mladic havia expressado ‌o desejo de ser enterrado em um cemitério em Belgrado ao lado de sua filha Ana, que morreu em 1994.

TRIBUNAL INVESTIGA A MORTE DE MLADIC

O tribunal abriu uma investigação sobre as circunstâncias da morte de Mladic. Um juiz designado ⁠para supervisionar a investigação passou cerca de três horas no centro de detenção na sexta-feira, mas não fez declarações à imprensa.

Vucic, um ex-ultranacionalista que atuou como ministro no governo do falecido líder sérvio Slobodan Milosevic na década de 1990, reinventou-se nos últimos anos como um reformista pró-europeu, mantendo, ‌ao mesmo tempo, laços estreitos com a Rússia e a China.

Mladic foi considerado culpado de genocídio por seu papel no massacre de Srebrenica, em 1995, no qual ⁠cerca de 8.000 homens e meninos muçulmanos bósnios foram mortos depois que as forças sérvias da Bósnia invadiram o enclave designado pela ONU.

Ele também foi condenado pelo cerco de 43 meses a Sarajevo, durante o qual cerca de 10 mil pessoas foram mortas.

No entanto, Mladic continuou sendo uma figura reverenciada entre muitos sérvios na Sérvia e na República Sérvia, região autônoma da Bósnia.

Os sobreviventes do massacre de Srebrenica tinham opiniões muito diferentes.

"Ele nunca deveria ter saído da prisão", disse Meira Djogaz, cujo marido, três filhos e neto foram mortos durante a guerra e que voltou a morar em Srebrenica após o conflito.

"Gostaria que ele tivesse vivido ainda mais tempo para que pudesse sofrer mais na prisão", disse ela.

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