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Premier da Itália obtém voto de confiança da Câmara

Giuseppe Conte irá ao Senado nesta terça-feira (10)

9 set 2019
17h16
atualizado às 17h28
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O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, recebeu nesta segunda-feira (9) o voto de confiança da Câmara dos Deputados, penúltima etapa necessária para dar início a seu segundo governo.

Giuseppe Conte discursa na Câmara acompanhado de Luigi Di Maio
Giuseppe Conte discursa na Câmara acompanhado de Luigi Di Maio
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O placar terminou com 343 deputados a favor de Conte e 263 contra, além de três abstenções. O premier contou com os votos do populista Movimento 5 Estrelas (M5S), do social-democrata Partido Democrático (PD), da aliança de esquerda Livres e Iguais (LeU) e de alguns deputados do chamado "grupo misto".

Com isso, o governo Conte terá 27 votos acima do mínimo necessário para garantir maioria na Câmara, que é 316, de um total de 630. O primeiro-ministro passará nesta terça (10) pelo voto de confiança no Senado, onde o placar costuma ser mais apertado.

"Mais um passo à frente para mudar a Itália e torná-la mais verde, justa e competitiva", celebrou no Twitter o líder do PD e governador do Lazio, Nicola Zingaretti.

O partido de centro-esquerda entrou no governo nacional após o desembarque da ultranacionalista Liga, de Matteo Salvini, que tentou derrubar Conte para forçar a antecipação de eleições - o agora ex-ministro do Interior apostava em uma vitória esmagadora nas urnas para ascender ao cargo de premier.

"O M5S tem ideias claras: trabalho, empresas, ambiente, educação e família são prioridades, assim como a redução dos parlamentares e a revogação de concessões rodoviárias [tema que encontra resistência no PD]. É hora de correr, é hora da coragem", disse o líder do movimento antissistema, Luigi Di Maio, agora ministro das Relações Exteriores.

Conte, por sua vez, afirmou brevemente que está "satisfeito" com o resultado.

Adversários

Juntos no governo, M5S e PD terão de deixar para trás um histórico de troca de ofensas e acusações que fez de um partido o maior inimigo do outro.

Ao longo dos últimos anos, as duas legendas mostraram posições aparentemente inconciliáveis em temas como União Europeia, política externa e realização de grandes obras. Além disso, líderes dos dois partidos afirmaram inúmeras vezes que nunca fariam uma aliança entre PD e M5S.

As legendas chegaram a conversar após as eleições de 2018, mas a forte oposição do PD, especialmente por parte de figuras como os ex-primeiros-ministros Matteo Renzi e Paolo Gentiloni, e a maior afinidade ideológica de Di Maio e outros expoentes do M5S com a Liga acabaram impedindo qualquer chance de acordo.

O partido antissistema, no entanto, não tem um desenho ideológico claro e também conta com alas mais próximas à esquerda, especialmente aquela liderada pelo presidente da Câmara, Roberto Fico.

Programa

Em seu discurso aos deputados, Conte apresentou um programa de governo mais pró-Europa e defendeu o uso "responsável" das redes sociais e de uma linguagem "sóbria", em clara referência ao estilo histriônico de Salvini.

O premier prometeu reduzir impostos e aumentar os investimentos em fontes renováveis de energia, com uma revisão "inexorável" do sistema de concessões para perfurações de petróleo no mar.

Além disso, defendeu reescrever os decretos de Salvini que restringiram a concessão de estadia por motivos humanitários e permitiram a apreensão de navios de ONGs que resgatam migrantes no Mediterrâneo.

Seu discurso foi interrompido várias vezes pelos gritos de "eleições" por parte da oposição, enquanto Salvini comandava do lado de fora da Câmara um protesto de partidos de extrema direita contra o novo governo.

Ansa - Brasil   
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