Premiê reage após Itália suspender livre circulação com Espanha: 'Ignorância'
Governo Sánchez garantiu que situação em Ceuta está 'voltando à normalidade'
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, enviou neste sábado (1º) uma carta ao poder Executivo da União Europeia na qual afirma que a decisão de suspender a livre circulação com o país em função da crise migratória em Ceuta é ditada por "desinformação, ignorância ou interesses políticos".
O posicionamento chega um dia depois de a Itália ter anunciado a suspensão do Acordo de Schengen com a nação ibérica por um mês, o que, na prática, significa a reintrodução do controle de passaportes nas fronteiras aéreas e marítimas entre os países.
Em sua carta, Sánchez, de centro-esquerda, definiu a reação da UE à crise em Ceuta como "assimétrica". "A maior parte mostrou apoio e solidariedade, oferecendo assistência. Outros, no entanto, escolheram atacar a Espanha e pedir sua exclusão temporária da Área Schengen. Tal postura, ditada por preconceitos, desinformação, ignorância ou interesses políticos, não apenas é contrária ao direito europeu, ao direito humanitário e aos princípios de solidariedade que nos unem, mas também aos interesses de longo prazo da Europa e ao bom senso mais elementar", declarou o premiê, sem citar a Itália nominalmente.
No documento, Sánchez lembrou que Ceuta, exclave espanhol no norte da África, não faz parte da Área Schengen, zona de livre circulação na Europa, e alegou que a Espanha tem "uma das fronteiras externas menos permeáveis" da UE, com "metade do número de entradas irregulares em relação ao registrado na Itália nos últimos anos".
Além disso, o premiê pediu a convocação urgente de uma reunião extraordinária entre os ministros do Interior dos 27 Estados-membros, a fim de que o bloco defina uma resposta conjunta e "reafirme que a segurança das fronteiras externas é uma responsabilidade compartilhada por todos".
Já o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, disse que a suspensão do Acordo de Schengen é "uma ação imperdoável". "Alguns países demonstraram uma atitude absolutamente egoísta, pouco solidária e irresponsável", acrescentou o chanceler durante coletiva de imprensa em Ceuta.
Na última quinta-feira (30), cerca de 50 mil migrantes entraram no exclave a nado, sendo que pelo menos 67 corpos foram recuperados do lado espanhol, e 17, do marroquino, totalizando 84 mortes confirmadas até o momento.
Segundo Sánchez, "praticamente todos os que entraram de forma irregular foram repatriados", e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assegurou que "ninguém chegou à Espanha continental ou ao restante da UE". O governo também garantiu que a situação em Ceuta já está "voltando à normalidade", informação contestada pelo prefeito da cidade autônoma, Juan Jesús Vivas, que faz oposição ao premiê.
"Ainda restam diversas pessoas que precisam ser repatriadas. O estado de ânimo da população ainda está marcado pela inquietação e pela preocupação", afirmou.
Para evitar novas situações do tipo, o governo espanhol iniciou a instalação de barreiras de contenção flutuantes ao longo da costa de Ceuta. Essa estrutura tem 500 metros de extensão, altura fora de água entre 30 e 70 centímetros e profundidade de até um metro.
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