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Por que o Alasca foi escolhido para sediar encontro entre Trump e Putin?

Na próxima sexta-feira (15), os olhos do mundo estarão voltados para o estado norte-americano do Alasca, onde Donald Trump e Vladimir Putin se encontrarão para conversar sobre um plano de cessar-fogo na Ucrânia e a retomada dos laços diplomáticos e econômicos entre os Estados Unidos e a Rússia. Enquanto a possibilidade da participação do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, não foi confirmada, especialistas analisam a escolha do local para a reunião — uma decisão considerada estratégica.

11 ago 2025 - 14h39
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Na próxima sexta-feira (15), os olhos do mundo estarão voltados para o estado norte-americano do Alasca, onde Donald Trump e Vladimir Putin se encontrarão para conversar sobre um plano de cessar-fogo na Ucrânia e a retomada dos laços diplomáticos e econômicos entre os Estados Unidos e a Rússia. Enquanto a possibilidade da participação do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, não foi confirmada, especialistas analisam a escolha do local para a reunião — uma decisão considerada estratégica.

Foto de arquivo fornecida pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos mostra a planície costeira do Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico, com a cordilheira Brooks ao fundo, no Alasca.
Foto de arquivo fornecida pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos mostra a planície costeira do Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico, com a cordilheira Brooks ao fundo, no Alasca.
Foto: AP / RFI

Separado da Rússia apenas pelo estreito de Bering, o Alasca foi selecionado por razões práticas para sediar a cúpula bilateral em que ocorrerá o primeiro encontro entre Trump e Putin em sete anos. A primeira delas é que evita que o presidente russo, indiciado pelo Tribunal Penal Internacional, tenha que sobrevoar outros países. O destino remoto também permite, segundo alguns observadores, garantir mais facilmente a segurança e reduzir drasticamente a possibilidade de manifestações.

No longínquo estreito de Bering, duas ilhas ficam frente a frente. A Grande Diomedes, a oeste, também conhecida como Ratmanov, é russa; a Pequena Diomedes, habitada por algumas dezenas de pessoas, é americana. Menos de quatro quilômetros as separam. 

Há anos, o exército americano anuncia registros regulares de aviões russos que se aproximam demais de seu espaço aéreo na região. No entanto, a Rússia não tem interesse em retomar o Alasca onde "também faz frio", ironizou Vladimir Putin em 2014. 

Laços históricos entre Moscou e Washington

Mas a escolha do Alasca para a aguardada cúpula também tem um significado histórico e simbólico para os dois países. Foi para a Rússia dos czares que o dinamarquês Vitus Bering descobriu, no século XVIII, o estreito que separa a Ásia das Américas — hoje batizado com seu nome — e revelou ao Ocidente a existência do Alasca. 

Em 1867, Moscou vendeu o território para Washington por US$ 7,2 milhões, uma compra extremamente criticada em uma época em que a região foi classificada de "geleira inútil". Com o tempo, descobriu-se a riqueza natural do Alasca, dotado de ouro, petróleo, gás natural e peixes. 

No entanto, o Alasca só se tornou um estado americano de fato em 1959, embora tenha servido como rota de ligação para a cooperação militar após 1941, com a entrada da então União Soviética na Segunda Guerra Mundial. A região também se tornou um ponto estratégico militar, especialmente durante a Guerra Fria. 

O território ainda é marcado pela presença de igrejas ortodoxas, implantadas desde a criação da Companhia Russo-Americana, e elas permanecem como um dos principais legados da história russa na região. Mais de 35 igrejas históricas, algumas com as cúpulas típicas da arquitetura ortodoxa, estão espalhadas pela costa do Alasca. A diocese ortodoxa do estado se apresenta como a mais antiga da América do Norte e conta até mesmo com um seminário, instalado na ilha de Kodiak.

Considerada pelo Kremlin como uma escolha de proximidade, o encontro de Putin e Trump no Alasca tem um grande potencial para o estreitamento dos laços entre os dois países. O Ártico, que banha o norte dessa região, é constantemente apresentado por Moscou como uma promessa de cooperação frutífera entre Rússia e Estados Unidos.

Trump quer "conversa construtiva" com Putin 

Trump disse nesta segunda-feira (11) que espera ter uma "conversa construtiva" com Putin e expressou insatisfação com Zelensky por ter descartado concessões territoriais.

"Vou conversar com Vladimir Putin e vou dizer a ele: 'você precisa acabar com essa guerra'", afirmou Trump em uma coletiva de imprensa na Casa Branca. O líder republicano reiterou que gostaria de ver um cessar-fogo "muito, muito rápido".

Trump também disse que telefonará para o presidente ucraniano e outros líderes europeus logo após a reunião com Putin. "O próximo encontro será com Zelensky e Putin, ou Zelensky, Putin e eu. Estarei lá, se precisarem", completou.

No entanto, o presidente americano afirmou estar "um pouco incomodado" com o ucraniano por dizer que precisa de aprovação constitucional para qualquer concessão territorial. "Quer dizer, ele tem aprovação para entrar em guerra e matar todo mundo. Mas precisa de aprovação para fazer uma troca de terras?", questionou. Segundo Trump, "vai haver alguma troca de terras acontecendo".

(RFI com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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