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População de 30 países não vê plano contra mudança climática

Maioria dos entrevistados afirma ainda que líderes irão falhar com seus cidadãos se não agirem imediatamente

22 abr 2021
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Uma pesquisa realizada com 21.011 pessoas em 30 países descobriu que menos de um terço acredita que seu governo tem um plano claro para lutar contra a mudança climática. A maioria dos entrevistados afirmou ainda acreditar que o governo irá falhar com seus cidadãos se não agir imediatamente.

Protesto contra mudança climática em Madri
06/12/2019
REUTERS/Rafael Marchante
Protesto contra mudança climática em Madri 06/12/2019 REUTERS/Rafael Marchante
Foto: Reuters

A pesquisa, intitulada Earth Day 2021: Public opinion on and action on climate change (Dia da Terra 2021: opinião pública e ação sobre a mudança climática), foi realizada pela Ipsos e divulgada nesta quinta-feira, 22.

Na amostra estudada, os países em que mais cidadãos acreditam na existência de planos claros de seu governo contra a mudança climática são Arábia Saudita (64%), China (61%), Índia (57%), Malásia (47%) e Coreia do Sul (38%). Na outra ponta, estão Argentina (21%), Rússia (21%), Canadá (21%), Estados Unidos (18%) e Japão (16%). O Brasil aparece na 17ª posição (26%).

Os entrevistados expressaram preocupação com uma possível inércia de seus países. Para 65% deles, se seu governo não agir agora para combater a mudança climática, estará falhando com o próprio povo. No Brasil, essa percepção foi expressada por 67% dos entrevistados.

A pesquisa revela também uma demanda por ações sustentáveis por parte das empresas. Entre os entrevistados, 68% afirmaram que se os mercados não agirem agora, estarão falhando com seus clientes e funcionários. No Brasil, 75% concordam com a afirmação. Os indivíduos devem, também, agir para combater a mudança, acredita a maioria (72%) dos entrevistados.

Pandemia

O levantamento também questionou se os entrevistados acreditavam que o combate às mudanças climáticas deveria ser uma prioridade nos planos de recuperação econômica pós-covid-19. A questão dividiu opiniões: 35% acreditam que sim, 36% acreditam que não.

Ainda medindo os impactos da pandemia, a pesquisa investigou se a crise e as ações para controlar sua disseminação restringiram a capacidade ou vontade do público de tomar ações com impacto ambiental. O estudo sugere que as pessoas não pretendem voltar a comportamentos menos sustentáveis quando as restrições forem removidas.

A pesquisa foi divulgada no dia em que se inicia a Cúpula de Líderes Sobre o Clima, convocada pelo presidente americano Joe Biden, que reunirá virtualmente 40 líderes mundiais para discutir a necessidade de novas metas para a redução das emissões de carbono no mundo.

O objetivo é encorajar os países a firmarem compromissos mais arrojados no combate às emissões de carbono para manter viável a meta estabelecida pelo Acordo de Paris, ou seja, impedir que a temperatura média mundial suba 1,5º C acima dos níveis pré-industriais. Além disso, os EUA veem no encontro uma chance de retomar o protagonismo em temas internacionais após os anos de confronto de Donald Trump com o multilateralismo.

Entre as presenças confirmadas, estão os presidentes da China e da Rússia, Xi Jinping e Vladimir Putin, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, cujas nações estão entre os maiores emissores de CO2 do mundo. Além das nações poluidoras, foram convidados também líderes de nações que já são diretamente afetadas pelas mudanças climáticas, como Bangladesh, Jamaica e Quênia.

O Brasil está entre os convidados e será representado pelo presidente Jair Bolsonaro. Às vésperas da cúpula, o presidente enviou uma carta escrita em primeira pessoa a Biden, enaltecendo sua gestão na área ambiental e afirmando que o País merece ser pago pelos resultados alcançados no que diz respeito a redução da emissão de gases estufa, preservação de áreas nativas e matriz elétrica limpa. "Inspira-nos a crença de que o Brasil merece ser justamente remunerado pelos serviços ambientais que seus cidadãos têm prestado ao planeta", escreveu.

Estadão
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