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Polícia da Itália proíbe funeral de líder mafioso em igreja

Domenico Belfiore cumpria pena perpétua por mandar matar magistrado

23 fev 2026 - 09h57
(atualizado às 10h05)
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A Polícia da Itália proibiu a celebração do funeral de um líder mafioso em uma igreja dos arredores de Turim e determinou que o morto seja sepultado de forma "privada", após protestos de associações de combate ao crime organizado.

Domenico Belfiore morreu no dia 20 de fevereiro, aos 73 anos
Domenico Belfiore morreu no dia 20 de fevereiro, aos 73 anos
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Domenico Belfiore, chefe de um clã da 'ndrangheta, a poderosa máfia calabresa, faleceu na última sexta-feira (20), aos 73 anos, em um hospital, e a família planejava realizar uma despedida fúnebre na Paróquia de Madonna de Loreto, em Chivasso, nesta terça (24).

A notícia provocou indignação em entidades da sociedade civil pelo fato de Belfiore ter sido condenado à prisão perpétua como mandante do homicídio de Bruno Caccia, então procurador de Turim, em 26 de junho de 1983.

"Rezar por uma pessoa falecida é um ato de caridade que não deve ser negado a ninguém, pois a misericórdia de Deus é maior que os nossos pecados. Mas celebrar uma missa solene por um mafioso que não se arrependeu não é apenas uma oração, é colocar um homem de sangue no mesmo altar onde celebramos os santos", declarou o padre Luigi Ciotti, fundador da associação antimáfia Libera.

"Um funeral na igreja para alguém que matou e não se arrependeu não é apenas um erro pastoral. É uma ferida adicional infligida às famílias das vítimas", acrescentou. Em 2014, o papa Francisco excomungou todos os mafiosos durante uma visita à Calábria, berço da 'ndrangheta.

Em meio às críticas, o chefe da Polícia de Estado na província de Turim, Massimo Gambino, determinou que o funeral de Belfiore não poderá ser realizado na igreja e também proibiu cortejos fúnebres. Além disso, o mafioso será sepultado de maneira privada.

Durante a manhã, o pároco de Madonna de Loreto, Tonino Pacetta, havia dito que não conhecia Belfiore e que, mesmo sabendo da excomunhão declarada por Francisco, não tinha nenhuma ordem da Cúria para impedir o funeral. "Eu o confiarei a Deus como pecador, mas cabe a Ele julgá-lo", afirmou.

Ansa - Brasil
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