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Pelo menos 5 jornalistas morrem em ataque de Israel a hospital em Gaza; Ongs denunciam 'apagão midiático'

O balanço de mortes ainda não está claro, mas entre 15 e 20 pessoas morreram nesta segunda-feira (25) em ataques israelenses contra o hospital Nasser, em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza. Entre as vítimas estão pelo menos cinco jornalistas, segundo autoridades locais. A Ong Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denuncia que "as forças israelenses têm destruído metodicamente a infraestrutura de mídia do território palestino e sufocado o jornalismo".

25 ago 2025 - 09h48
(atualizado às 12h07)
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O balanço de mortes ainda não está claro, mas entre 15 e 20 pessoas morreram nesta segunda-feira (25) em ataques israelenses contra o hospital Nasser, em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza. Entre as vítimas estão pelo menos cinco jornalistas, segundo autoridades locais. A Ong Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denuncia que "as forças israelenses têm destruído metodicamente a infraestrutura de mídia do território palestino e sufocado o jornalismo".

O hospital Nasser, em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, após um ataque israelense, em 25 de agosto de 2025.
O hospital Nasser, em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, após um ataque israelense, em 25 de agosto de 2025.
Foto: © AFP / RFI

Um dos mortos era operador de câmera da rede Al Jazeera, duas semanas depois de outros quatro repórteres do canal terem sido mortos em bombardeios no enclave palestino. Também morreram um cinegrafista que trabalhava para a agência britânica Reuters e uma freelancer da agência norte-americana Associated Press (AP).

O porta-voz da Defesa Civil palestina, Mahmoud Bassal, relatou que os ataques consistiram em duas investidas: a primeira realizada por um drone explosivo, seguida de um bombardeio aéreo que atingiu o local já durante a chegada de socorristas e jornalistas.

A Reuters confirmou que um de seus fotógrafos, Hatem Khaled, ficou ferido na segunda explosão. O ataque contra o hospital Nasser ocorre em um contexto de crescente vulnerabilidade para jornalistas que cobrem a guerra em Gaza.

As mortes desta segunda-feira elevam ainda mais o número de profissionais da mídia atingidos pelo conflito, reforçando denúncias de organizações internacionais de que a imprensa tem sido desproporcionalmente afetada pelas operações militares.

O Sindicato dos Jornalistas Palestinos confirmou nesta segunda-feira a morte de quatro profissionais: Houssam al-Masri, da Reuters; Mariam Dagga, colaboradora da AP; Moaz Abou Taha, que trabalhava para veículos locais e internacionais; e Mohammad Salama, da Al Jazeera.

Organizações internacionais de defesa da imprensa alertam para a escalada de violência contra jornalistas. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) já contabilizavam quase 200 profissionais mortos desde 7 de outubro de 2023, quando o Hamas lançou um ataque inédito contra Israel, desencadeando o atual conflito. A RSF denuncia um "apagão midiático" na região.

A agência de notícias Reuters declarou estar "devastada". Já a Associated Press (AP) disse estar "chocada" com a morte de uma de suas colaboradoras. Segundo a própria AP, ela não estava em missão pela agência no momento do ataque.

"Apagão midiático"

A repetição de casos envolvendo profissionais de grandes agências de comunicação — como Reuters, Associated Press e Al Jazeera — amplia a visibilidade internacional das denúncias e aumenta a pressão sobre Israel para dar explicações transparentes.

Embora o Exército israelense tenha anunciado uma investigação, entidades como a Repórteres sem Fronteiras questionam frequentemente a independência e a eficácia desses inquéritos internos.

Além disso, o fato de o segundo ataque ter ocorrido logo após a chegada de socorristas e jornalistas levanta questionamentos sobre os protocolos militares aplicados em áreas densamente povoadas. Para a comunidade internacional, episódios como este alimentam críticas à condução da guerra e intensificam pedidos por maior proteção de civis e trabalhadores da imprensa em zonas de conflito.

Segundo a RSF, "os repórteres israelenses que criticam a guerra em Gaza e as políticas do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também foram vítimas de repressão, intimidação e violência policial desde 7 de outubro de 2023". A Ong denuncia que, "desde 7 de outubro, dezenas de jornalistas da Cisjordânia foram detidos e permanecem em prisões israelenses. A sede da Al-Jazeera em Ramallah foi fechada por soldados armados em setembro passado, sob a acusação de propaganda". 

Escalada da violência

De acordo com a Defesa Civil, até o início da tarde, 27 pessoas haviam morrido em diferentes pontos da Faixa de Gaza em consequência de ataques israelenses realizados no mesmo dia.

Testemunhas relataram cenas de pânico no hospital, com feridos sendo socorridos às pressas, muitos deles cobertos de sangue. Após quase dois anos de guerra, Gaza segue devastada, com grande parte de sua infraestrutura destruída e apenas alguns hospitais ainda em funcionamento de forma parcial.

O hospital Nasser, atingido novamente nesta segunda-feira, é um dos poucos centros de saúde ainda operando, mesmo de maneira limitada, no enclave palestino.

(RFI com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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