'Paz é como uma flor frágil', diz Papa em Moçambique
País africano enfrentou longa guerra civil no século 20
Em visita a Moçambique, flagelado por 15 anos de guerra civil no fim do século 20, o papa Francisco elogiou nesta quinta-feira (5) os esforços do país africano em busca da paz.
O líder da Igreja Católica se reuniu com autoridades moçambicanas na capital Maputo e expressou seu "apreço" pelas ações tomadas "para fazer com que a paz volte a ser a regra, e a reconciliação, o melhor caminho para enfrentar as dificuldades e desafios".
A Guerra Civil Moçambicana durou de 1977 a 1992 e opôs os guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) ao governo socialista da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), força política que governa o país desde sua independência, proclamada em 1975.
O conflito foi suspenso com um tratado de paz assinado em Roma, em 1992, com mediação da Igreja, mas as hostilidades voltaram em 2013 e só foram encerradas formalmente no último mês de agosto, com um acordo firmado pelo presidente Filipe Nyusi e pelo líder da Renamo, Ossufo Momade.
Segundo o Papa, o pacto pode ser uma "pedra fundamental" e "decisiva" para a paz em Moçambique. "Vocês conhecem o sofrimento, o luto e a aflição, mas não quiseram que o critério regulador das relações humanas fosse a vingança ou a repressão, nem que o ódio e a violência tivessem a última palavra", disse.
De acordo com Francisco, os moçambicanos mostraram que a busca pela paz duradoura "exige um trabalho duro, constante e sem pausa". "A paz é como uma flor frágil que tenta brotar entre as pedras da violência, então exige que se continue a afirmá-la com determinação, mas sem fanatismo; com coragem, mas sem exaltação; com tenacidade, mas de maneira inteligente", acrescentou.
No começo de sua passagem por Moçambique, que terá eleições gerais em 15 de outubro, o Pontífice já se reuniu tanto com Nyusi quanto com Momade.
Ciclone
Em sua reunião com as autoridades locais, o Papa também lembrou as vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, que mataram cerca de mil pessoas no país no primeiro semestre.
"Infelizmente, não poderei me dirigir pessoalmente a vocês, mas quero que saibam que compartilho de sua angústia, sua dor e também do compromisso da comunidade católica de enfrentar uma situação tão dura", declarou Francisco, em referência à impossibilidade de visitar as áreas atingidas pelas tempestades.
"As consequências devastadoras [dos ciclones] continuam afetando tantas famílias, especialmente nos lugares nos quais a reconstrução ainda não pôde ser feita e que exigem atenção especial", ressaltou. Jorge Bergoglio fica na África até o próximo dia 10 de setembro e ainda passará por Madagascar e Maurício.