Papa visita prisão na Guiné Equatorial e defende justiça focada em 'reconstruir vidas'
Leão XIV fez apelo humanitário, enquanto prisioneiros ecoaram gritos de 'liberdade'
Em um momento marcado por forte apelo humanitário, o papa Leão XIV visitou nesta quarta-feira (22) a prisão de Bata, na Guiné Equatorial, e destacou que a "verdadeira justiça não pune, mas ajuda a reconstruir vidas".
Diante de detentos e funcionários do sistema prisional, o Pontífice afirmou que a administração da justiça visa "proteger a sociedade, mas para ser eficaz, deve sempre investir na dignidade e no potencial de cada pessoa".
"A verdadeira justiça busca não tanto punir, mas sobretudo ajudar a reconstruir as vidas tanto das vítimas quanto dos perpetradores e das comunidades feridas pelo mal. Não há justiça sem reconciliação", declarou ele, enfatizando que a segurança deve ser combinada com "respeito e humanidade".
A prisão de Bata, que ganhou notoriedade internacional no passado por suas condições precárias, foi o cenário de um discurso voltado à esperança e à transformação. Na ocasião, Robert Prevost incentivou os detentos a enxergarem o período de reclusão como uma oportunidade de reflexão e crescimento pessoal.
Além disso, fez um apelo para "prevenir e reparar as feridas causadas pela injustiça": "Quero falar com vocês, acima de tudo, sobre esperança e mudança. Mesmo que a prisão pareça um lugar de solidão e desolação, este tempo - como já foi dito - pode se tornar um tempo de reflexão e reconciliação", ressaltou.
Leão XIV também defendeu melhorias concretas nas condições carcerárias, como acesso a estudo e trabalho digno: "Tudo deve ser feito, por exemplo, para garantir que na prisão vocês tenham a oportunidade de estudar e trabalhar com dignidade".
Dirigindo-se diretamente aos presos, o Papa reforçou que a vida não se define apenas pelos erros cometidos, que geralmente são resultado de circunstâncias difíceis e complexas, pois sempre há uma chance de se "levantar, aprender e se tornar uma nova pessoa".
"Não permitam que o passado lhes roube a esperança no futuro. Cada dia pode ser um novo começo. Deus nunca se cansa de perdoar", afirmou ele, lembrando que os detentos não estão sozinhos e destacando o apoio de suas famílias e da Igreja.
Aos agentes penitenciários, o líder religioso ressaltou a importância de unir segurança com respeito e humanidade, papel essencial para a reintegração social dos detentos.
A visita teve ainda um momento simbólico inesperado: sob uma chuva torrencial que caiu sobre o pátio da prisão, os detentos cantaram e dançaram. O Papa descreveu o momento como "uma bênção". Após sua partida, ecoaram gritos de "liberdade", enquanto os presos continuavam celebrando sob a chuva.
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