Script = https://s1.trrsf.com/update-1779108912/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mundo

Publicidade

Papa promete enfrentar abusos na Igreja em meio à pressão de vítimas na Espanha

Leão XIV iniciou 4ª visita apostólica que passará por Madri, Barcelona e Ilhas Canárias

6 jun 2026 - 09h59
Compartilhar
Exibir comentários

O papa Leão XIV afirmou neste sábado (6) que continuará trabalhando pessoalmente, junto com toda a Igreja Católica, no combate aos abusos sexuais cometidos por membros do clero, classificando o problema como "uma ferida que ainda está aberta".

    A declaração foi dada durante o voo que o levou à Espanha para uma visita oficial onde passará por Madri, Barcelona e Ilhas Canárias, até o próximo dia 12 de junho. Esta é a quarta viagem apostólica desde que Leão XIV assumiu seu pontificado, em maio de 2025.

    Questionado por jornalistas sobre a questão, o pontífice reconheceu a gravidade do tema e informou que pretende se reunir com algumas vítimas durante sua estadia no país. No entanto, destacou que "é impossível receber todos aqueles que o desejam".

    As declarações ocorrem em meio às crescentes ameaças de associações de vítimas de abuso sexual dentro da Igreja Católica, que planejam realizar manifestações, no dia 8 de junho, data que coincide com um encontro previsto entre o Papa e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, caso não sejam recebidas pelo Papa durante sua visita.

    A pressão sobre a Igreja também aumentou após uma investigação publicada pelo jornal espanhol El País, segundo a qual 94 membros de alto escalão da Igreja Católica na Espanha, incluindo sete cardeais, teriam acobertado ou silenciado denúncias de abuso sexual durante décadas.

    O levantamento analisou 1.622 casos de abuso sexual já revelados no país e concluiu que autoridades eclesiásticas teriam protegido, acobertado ou ignorado denúncias envolvendo 159 clérigos acusados de pedofilia.

    Entre os nomes citados está o cardeal Juan José Omella, arcebispo de Barcelona, que deverá receber o Papa durante sua passagem pela cidade. De acordo com a reportagem, Omella foi alertado há quatro anos sobre acusações envolvendo o padre Jorge Alexander Patiño, posteriormente preso.

    A investigação também aponta que bispos e cardeais de Barcelona teriam autorizado, em 1990, o envio do padre Jordi Senabre ao Equador como missionário, apesar de acusações de abuso sexual.

    Dos 94 dirigentes religiosos mencionados pelo jornal, 61 são bispos e 26 superiores de ordens religiosas. Quatro deles ocuparam a presidência da Conferência Episcopal Espanhola.

    O relatório ainda destaca denúncias relacionadas à Abadia de Montserrat, que será visitada pelo Papa na próxima semana.

    Segundo a publicação, três abades teriam encoberto casos de abuso sexual entre 1968 e 2019. As acusações vieram à tona após o testemunho de Miguel Hurtado, vítima de abusos na instituição.

    Além disso, dois religiosos atualmente em processo de beatificação também são citados na investigação. Entre eles está José María García Lahiguera, ex-arcebispo de Valência, acusado de proteger um padre condenado por estuprar e assassinar uma criança de nove anos com 47 facadas. O outro é o bispo Josep María Cases, apontado como responsável pela transferência de um sacerdote acusado de abusar de um menor.

    Segundo o El País, tanto a Conferência Episcopal Espanhola quanto o Vaticano foram informados sobre essas acusações por meio de relatórios enviados desde 2021, mas os casos não teriam sido submetidos a investigações canônicas.

    Hoje, em seu discurso de boas-vindas a Leão XIV, o rei Felipe VI referiu-se pela primeira vez aos abusos na esfera eclesial.

    Enfatizando o "enorme trabalho social" da Igreja, o monarca observou que "não pode haver maior contraste com tudo isso do que a dor causada pelos casos de abuso, que não são e não podem representar a imensa comunidade eclesial".

    O rei reconheceu que a "clareza e firmeza" do Papa "são fundamentais no processo de cura e reparação dos danos infligidos: para as vítimas, para os fiéis, para a Igreja e para a sociedade como um todo", observou.

    Por fim, Felipe VI lembrou o apelo de Leão XIV, após sua eleição como "sucessor de Pedro e Bispo de Roma", para construir "pontes através do diálogo e do encontro", indicando a unidade como o caminho para a paz em tempos de incerteza. .

Ansa - Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Meu Terra