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Papa Leão XIV defende acesso à saúde e proteção à vida no Uruguai

Pontífice cobrou que 'pai se comprometa ao lado da mãe' nas responsabilidades familiares

6 nov 2026 - 19h38
(atualizado às 19h50)
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Resumo
Em visita ao Uruguai, o papa Leão XIV defendeu a proteção à vida desde a concepção, cobrando maior responsabilidade paterna, e pregou o acesso universal à saúde, citando sua recente cirurgia pulmonar. O pontífice também alertou sobre a saúde mental e o combate ao suicídio, além de elogiar a convivência pacífica no Estado laico uruguaio. O presidente Yamandú Orsi recepcionou o líder religioso, destacando o valor histórico da Igreja no país e o compromisso conjunto com a paz e o diálogo.

Em seu primeiro discurso oficial em Montevidéu, o papa Leão XIV defendeu nesta sexta-feira (6) a garantia do acesso universal à saúde, ao relembrar a cirurgia pulmonar à qual foi submetido recentemente, e abordou a proteção à vida, cobrando que "o pai se comprometa ao lado da mãe" no cultivo das responsabilidades familiares.

"Aqueles que ainda não nasceram já pertencem à família humana e ao futuro de seu próprio povo. Sua dependência absoluta da mãe não diminui a dignidade que lhes pertence por direito, nem a proteção que merecem", declarou o líder da Igreja Católica diante de autoridades e fiéis no Uruguai.

O pontífice americano, que iniciou sua primeira viagem pastoral pela América Latina, acrescentou que "acolher uma nova vida exige que o pai se comprometa a assumir suas responsabilidades ao lado da mãe, que a família ofereça seu apoio e que existam condições sociais que permitam a ambos criar e cuidar de seus filhos".

Em seu discurso na Praça da Independência, Leão XIV alertou para a indiferença social e criticou a visão pragmática que mede o valor humano apenas pela produtividade ou pelo trabalho. Ao abordar a saúde mental e a prevenção ao suicídio, o líder religioso destacou que "ninguém deveria se sentir um estranho entre seus entes queridos".

"A solidão, a angústia e a perda da esperança podem tornar-se tão profundas que uma pessoa pode não encontrar mais qualquer motivo para continuar vivendo. Diante da dolorosa realidade do suicídio, a assistência à saúde, os laços familiares e a proximidade da própria comunidade são essenciais", pontuou.

Robert Francis Prevost contextualizou a defesa do sistema de saúde pública citando sua experiência médica recente, quando passou por um procedimento cirúrgico para a remoção de um tumor no pulmão direito.

"Vivenciei na própria pele as limitações impostas pela doença e recebi um atendimento pelo qual sou profundamente grato. Essa experiência me leva a pensar nos muitos homens e mulheres que não dispõem dos meios necessários para obter um diagnóstico em tempo hábil ou receber o tratamento de que precisam", ressaltou o pontífice, completando que "garantir que a assistência à saúde esteja ao alcance de todos, independentemente de seus recursos financeiros, é uma responsabilidade que diz respeito à sociedade como um todo".

Ao avaliar o panorama sociopolítico uruguaio, Leão XIV elogiou a convivência pacífica entre diferentes tradições e ressaltou que o "caráter laico do Estado visa assegurar um espaço onde crentes e não crentes possam coexistir em liberdade e respeito mútuo".

"Ninguém deve ser forçado a agir contra a própria consciência, nem impedido de agir de acordo com ela, seja na esfera privada ou pública, individualmente ou em associação com outros, e dentro de limites apropriados", concluiu.

Na cerimônia de recepção, o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, saudou o pontífice afirmando que a nação o acolhe como "um país que vive em paz e alegria, onde todos estão felizes em lhe oferecer um abraço acolhedor".

"Compartilhamos sua postura em prol do fim dos conflitos e seu compromisso com o diálogo. Hoje, mais do que nunca, a política tem a obrigação de oferecer alternativas à guerra por meio do multilateralismo. Para a humanidade, a paz e o diálogo são o único caminho possível a seguir", declarou o chefe de Estado uruguaio.

Orsi expressou gratidão ao pontífice pelo papel diplomático em escala global e reconheceu a contribuição histórica da Igreja Católica na sociedade uruguaia, citando a atuação em comunidades vulneráveis, no sistema prisional, na educação e o apoio prestado como refúgio durante o período da ditadura militar no país. .

Ansa - Brasil
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