Papa defende 'destinação universal dos bens' no setor financeiro
Segundo Leão XIV, investimentos devem assegurar 'vida digna' a todos
Em audiência na Praça São Pedro, o papa Leão XIV defendeu a destinação universal dos bens no setor financeiro, afirmando que investimentos e a organização econômica devem assegurar uma vida digna a toda a comunidade. Baseando-se no Concílio Vaticano II, o pontífice destacou que a política deve visar ao bem comum, condenou a exploração no trabalho e ressaltou o direito dos trabalhadores de participarem das decisões de suas atividades, priorizando sempre o diálogo e ações não violentas.
O papa Leão XIV defendeu nesta quarta-feira (4) a "destinação universal dos bens" e disse que os investimentos financeiros devem assegurar uma "vida digna a toda a comunidade".
As declarações foram dadas em sua audiência geral para fiéis na Praça São Pedro, no âmbito de uma catequese dedicada ao Concílio Vaticano II, congresso realizado na década de 1960 e que modernizou a doutrina da Igreja Católica.
"O Concílio evoca um dos princípios fundamentais do magistério social, ou seja, o destino universal dos bens da terra, e aplica-o no setor financeiro, afirmando que 'todos os que decidem sobre estes investimentos e a organização da vida econômica - indivíduos, grupos ou poderes públicos - devem vigiar para que sejam assegurados os requisitos necessários a uma vida digna dos indivíduos e de toda a comunidade'", disse o Papa em sua homilia.
Leão XIV também destacou que a "comunidade política existe em função do bem comum", e o "exercício da autoridade" deve agir "de acordo com as circunstâncias locais e históricas, mas sempre tendo no coração o bem de toda a família humana".
Na catequese, o líder da Igreja Católica ainda afirmou que o "trabalho não pode ser deturpado em prejuízo das pessoas, do bem comum ou da criação" e que "não são aceitáveis a exploração e condições que põem em perigo a saúde e a própria vida".
"Os trabalhadores têm o direito e o dever de participar das decisões que dizem respeito à sua atividade, até de forma associativa, enfrentando os conflitos mediante o diálogo e ações não violentas", acrescentou.
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