Papa defende arte humana diante do avanço da inteligência artificial
Leão XIV alertou que 'falta aos algoritmos a centelha do humano'
Em encontro no Vaticano, o papa Leão XIV defendeu a arte humana frente ao avanço da inteligência artificial, afirmando que os algoritmos carecem da "centelha humana" e diferem ontologicamente da criação real. O pontífice ressaltou que a arte é vital para a Igreja compreender as dores e buscas da humanidade, além de destacar a dignidade inerente a cada pessoa. Ele ainda alertou para os riscos da tecnologia que, ao priorizar padrões prévios, gera uma homogeneização cultural perigosa.
O papa Leão XIV defendeu nesta sexta-feira (2) que a Igreja Católica precisa dos artistas, especialmente diante dos desafios impostos pelo avanço da inteligência artificial (IA).
A declaração foi dada durante um encontro entre o pontífice e um grupo de artistas, promovido em conjunto com o Dicastério para a Cultura, na Sala do Consistório, no Vaticano.
Na ocasião, Leão XIV destacou a importância da criação humana e apontou diferenças fundamentais entre a arte produzida por pessoas e conteúdos gerados por máquinas.
"A Igreja precisa de vocês. Especialmente nesta era da inteligência artificial, quando se torna urgente distinguir a arte humana daquilo que é produzido por máquinas", afirmou o religioso.
Segundo o Papa, "existe uma diferença ontológica ? antes mesmo de uma diferença estética ? entre a arte e o que uma máquina pode gerar por meio de cálculos estatísticos baseados em milhões de imagens criadas por outros"".
"Falta aos algoritmos a centelha humana", declarou.
Robert Prevost também recordou o projeto realizado na prisão de Giudecca, durante a Bienal de Veneza, o qual o falecido papa Francisco visitou. Para ele, a experiência demonstrou que a relação entre arte e realidade social pode acontecer em duas direções.
"Aqueles que o vivenciaram sabem que não se tratava de levar a arte para dentro da prisão, mas de permitir que a prisão ? com sua verdade muitas vezes reprimida ? ensinasse algo à arte e a todos nós", disse.
Ao mencionar os detentos, o líder da Igreja Católica ressaltou a dignidade inerente a cada pessoa. "A pessoa humana possui dignidade simplesmente pelo fato de existir e de ter a eternidade como seu objetivo último; a pessoa é sempre maior do que sua fragilidade ou seus erros", afirmou.
Leão XIV também defendeu que a arte não deve ser vista como um elemento secundário: "A Igreja nunca considerou a arte um mero acessório".
Para o Santo Padre, a produção artística constitui um espaço privilegiado para compreender as experiências humanas. "Para a Igreja, a arte é um espaço fundamental de escuta ? um lugar para aprender sobre as aspirações e as feridas da humanidade, sobre sua sede de beleza, justiça e paz, e sobre sua busca de sentido."
Ao abordar as transformações provocadas pela tecnologia, o Papa comparou a capacidade dos mecanismos de busca com a função exercida pela arte. "Vivemos na era dos mecanismos de busca, que nos oferecem milhares de respostas em uma fração de segundo", afirmou.
No entanto, apesar da velocidade e do alcance dessas ferramentas, o pontífice advertiu que elas tendem a reproduzir conteúdos e preferências já existentes. "Por mais poderosos que sejam, eles apenas refletem o que já existe e tendem a nos dar aquilo que já queremos", disse.
Nesse contexto, Prevost identificou um risco cultural que, segundo ele, vai além da censura tradicional. "Na era da tecnologia e do consumismo, o grande perigo já não é apenas a censura, mas a homogeneização", concluiu.
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