Países do Golfo acusam Irã de 'crimes de guerra' após morte de dois militares americanos
Dois militares americanos morreram em ataques iranianos na Jordânia, anunciaram neste sábado (18) as autoridades dos Estados Unidos. O episódio marca as primeiras baixas americanas desde a retomada dos confrontos entre Washington e Teerã, em 7 de julho. Um terceiro militar é considerado desaparecido. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), os ataques ocorreram na sexta-feira e envolveram mísseis e drones iranianos.
Em meio à escalada, o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, ameaçou impor aos Estados Unidos "lições inesquecíveis", em mensagem divulgada pela televisão estatal iraniana.
Khamenei também acusou Washington de violar repetidamente o memorando de entendimento assinado entre os dois países em 17 de junho para interromper os confrontos: "A repetida violação do acordo demonstrou mais uma vez que a assinatura do presidente americano Donald Trump não tem valor", afirmou.
"Crimes de guerra": Kuwait acusa Irã de atacar infraestruturas civis
Mais cedo, o Irã atacou infraestruturas no Kuwait pelo segundo dia consecutivo. Desde o reinício das hostilidades, Teerã vinha concentrando suas ações principalmente em bases americanas localizadas nos países vizinhos do Golfo.
As autoridades kuwaitianas afirmaram que os ataques atingiram uma instalação petrolífera considerada "vital" e interromperam a operação de várias unidades de uma usina elétrica e de dessalinização de água. Uma instalação semelhante já havia sido atingida na véspera.
Com temperaturas chegando a 47°C neste sábado, o governo do Kuwait condenou os ataques contra "infraestruturas essenciais", afirmando que eles colocam em risco a vida e a segurança da população civil.
O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), que reúne as monarquias petrolíferas da região, classificou as ações iranianas como "crimes de guerra".
No Bahrein, foram registradas diversas explosões em Manama após o acionamento de sirenes de alerta. Pouco depois, as Forças Armadas informaram ter interceptado uma nova onda de ataques iranianos.
Irã acusa EUA de atingir infraestrutura civil
No Irã, autoridades da província de Hormozgan, localizada às margens do Estreito de Ormuz, acusaram os Estados Unidos de destruir completamente uma estação de bombeamento de água do mar e um transformador elétrico ligado a uma usina de dessalinização.
O Exército americano, por sua vez, informou ter atacado durante a noite "sistemas de vigilância, infraestruturas logísticas militares, depósitos subterrâneos de armas e meios marítimos", sem mencionar qualquer alvo civil.
Na sexta-feira, a ONU classificou como "inaceitáveis" os ataques contra infraestruturas civis.
Teerã já havia acusado Washington de bombardear a rede elétrica do país, pontes e estruturas de telecomunicações, ações que o governo iraniano considera "crimes de guerra". Segundo o Ministério da Saúde iraniano, os ataques americanos deixaram 50 mortos e mais de 500 feridos desde 27 de junho.
Estreito de Ormuz volta ao centro da crise
Os confrontos alcançaram um nível sem precedentes desde o cessar-fogo firmado em abril para encerrar a guerra desencadeada pela ofensiva israelense e americana contra o Irã no fim de fevereiro.
Ao mesmo tempo, os incidentes marítimos se multiplicam no Estreito de Ormuz. A reabertura da passagem para a navegação comercial havia sido uma das principais conquistas do acordo firmado em junho, mas o tráfego voltou a ficar praticamente paralisado.
A Guarda Revolucionária, força de elite do regime iraniano, advertiu que os ataques continuarão "até o retorno da calma na costa sul e no Estreito de Ormuz". Antes do conflito, cerca de um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos passava por essa rota estratégica.
Os Estados Unidos também restabeleceram o bloqueio aos portos iranianos, que havia sido suspenso após a assinatura do acordo.
Neste sábado, a Guarda Revolucionária afirmou ter impedido, com drones e mísseis, a passagem de quatro embarcações que tentavam cruzar o estreito sem autorização iraniana. Teerã também afirmou que dois petroleiros atingiram minas na região, versão negada pelo Exército americano.
Com AFP
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