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Operação entre Brasil e Itália prende esposa de líder mafioso capturado por tráfico

Patrick e seu pai Nicola estão detidos desde 2019, quando foram achados na Praia Grande

17 set 2026 - 11h43
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Resumo
A Operação Eredità, deflagrada em conjunto entre Brasil e Itália, prendeu familiares dos líderes mafiosos Patrick e Nicola Assisi, da 'Ndrangheta, incluindo a esposa de Patrick. O grupo continuou comandando o tráfico internacional de cocaína da América do Sul à Europa pelo porto de Paranaguá e a lavagem de capitais após a prisão dos chefes em 2019. A PF cumpriu oito mandados de prisão preventiva e apreendeu bens, desarticulando a rede financeira e logística da máfia no país.

Familiares dos chefes da máfia italiana 'Ndrangheta Patrick e Nicola Assisi teriam assumido a gestão das operações de tráfico de cocaína entre a América do Sul e a Europa após a prisão dos dois no Brasil, em 2019.

    A informação foi divulgada pelas autoridades italianas e brasileiras responsáveis pela Operação "Eredità" ("Herança", em tradução livre), deflagrada nesta quinta-feira (17) em conjunto entre os dois países, Ao todo, foram cumpridos no Brasil oito mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão contra familiares e pessoas ligadas aos dois investigados. Entre os alvos está Paula Simões, esposa de Patrick Assisi.

    As diligências ocorreram em Palhoça (SC) e nas cidades de São Paulo, São Caetano do Sul, Santos e Americana.

    A frente italiana da investigação foi conduzida pelo Ministério Público de Turim, por meio de sua Direção Distrital Antimáfia (DDA), sob coordenação da Direção Nacional Antimáfia e Antiterrorismo. A ação também contou com a participação do ROS (Grupo de Operações Especiais) dos Carabineiros e da Polícia Federal brasileira.

    Segundo os investigadores, a nova organização continuou a obter drogas e a providenciar seu envio para a Europa utilizando os mesmos contatos e canais empregados antes das prisões de 2019.

    Acredita-se que familiares e associados de confiança mantinham vínculos com fornecedores de drogas e com os indivíduos responsáveis pela gestão logística e financeira dos carregamentos.

    As cargas de cocaína tinham origem na América do Sul e passavam pelo porto brasileiro de Paranaguá, no Paraná, antes de seguir para diferentes países europeus, entre eles a Itália.

    Pelo menos 11 apreensões realizadas entre 2019 e 2020 ? totalizando 4,6 toneladas de cocaína ? foram vinculadas a essa rede. Um dos carregamentos, pesando aproximadamente 2,2 toneladas, já estava no Brasil quando os mafiosos da família Assisi foram presos e foi posteriormente movimentado pelo grupo que havia assumido o empreendimento criminoso deles.

    O inquérito também identificou, segundo os investigadores, um sistema de transferência e ocultação dos lucros obtidos com o tráfico de drogas.

    O dinheiro teria sido movimentado por meio de intermediários financeiros, empresas de fachada e investimentos no setor imobiliário, além da aquisição de bens de alto valor. Os integrantes da rede também utilizavam plataformas de comunicação criptografada.

    Como parte da operação, foram determinadas medidas patrimoniais que incluem a apreensão de imóveis e o bloqueio de ativos financeiros, contas bancárias e investimentos. O valor total dos bens e recursos atingidos ainda está sendo calculado.

    "Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros delitos identificados no decorrer das investigações", diz a nota oficial do governo brasileiro.

    A Eredità é resultado de novos desdobramentos das investigações anteriores denominadas "Retis" e "Spiderweb".

    Condenado a mais de 30 anos de prisão por tráfico de drogas pela Justiça da Itália, Assisi está detido em Brasília desde julho de 2019, quando foi encontrado pela Polícia Federal (PF) em uma cobertura de luxo na Praia Grande, litoral paulista.

    Na ocasião, as autoridades apreenderam armas, munições, cocaína, maços de euros, dólares e R$ 770 mil, além de celulares e documentos falsos.

    A operação foi realizada em parceria com a Interpol e a Polícia da Itália. Patrick fora detido junto com seu pai, Nicola Assisi, condenado na Itália a 14 anos de prisão por tráfico de drogas e ligação com um braço da máfia calabresa.

    A dupla de italianos é suspeita de ser correspondente da máfia 'Ndrangheta na América do Sul. Ambos estavam foragidos desde 2014, havendo notícia de que passaram por Portugal e Argentina utilizando-se de nomes falsos. .

Ansa - Brasil
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