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ONU alerta que cortes na ajuda internacional ameaçam assistência a mais de 8 milhões de refugiados

Os cortes no financiamento da ajuda humanitária estão levando as organizações de apoio a refugiados ao limite de sua capacidade e podem deixar cerca de 8,3 milhões de pessoas sem assistência ainda este ano, alertou nesta terça-feira (29) o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

29 set 2026 - 06h44
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Resumo
O Acnur alertou que a queda nas contribuições internacionais gerou um grave déficit orçamentário, ameaçando a assistência a cerca de 8,3 milhões de refugiados e deslocados. A falta de verbas compromete serviços vitais de abrigo e registros, aumentando o risco de violência e exploração contra mulheres e crianças em países vulneráveis como Chade e Sudão. O corte financeiro também atinge programas de inclusão econômica, inviabilizando a reconstrução e a autonomia dessas populações a longo prazo.

O relatório divulgado pela agência da ONU afirma que sua capacidade de proteger e assistir refugiados e deslocados está sofrendo uma "erosão por um agravamento do déficit de financiamento", o que a obriga a reduzir programas considerados essenciais. 

"A proteção não pode ser reduzida indefinidamente sem provocar o colapso dos sistemas. Abaixo de um determinado limite, os serviços não apenas alcançam menos pessoas, eles podem simplesmente deixar de funcionar, abandonando os mais vulneráveis sem a proteção de que precisam", advertiu Dominique Hyde, diretora de Relações Externas do Acnur. 

Déficit de recursos se agrava 

Os recursos disponíveis para a agência já caíram de US$ 5,2 bilhões para US$ 3,9 bilhões entre 2024 e 2025, em consequência da redução das contribuições dos países doadores. 

Até o fim de julho de 2026, o Acnur havia recebido apenas 32% dos US$ 8,5 bilhões necessários para financiar suas operações ao longo do ano, apesar de o número de pessoas sob sua responsabilidade permanecer em níveis considerados historicamente elevados. 

Segundo a organização, a falta de recursos ameaça diretamente a assistência prestada a aproximadamente 8,3 milhões de refugiados e deslocados. 

Risco de violência e exploração contra crianças

Dominique Hyde alertou que a interrupção de serviços básicos de proteção pode expor novamente essas populações aos mesmos perigos dos quais tentaram escapar. 

"Quando os registros são suspensos, os abrigos fecham ou os serviços de proteção à infância desaparecem, ressurgem nas áreas de acolhimento os riscos de violência, exploração e abusos", afirmou. 

O relatório destaca a situação de países sob forte pressão, como o Chade. No país africano, cerca de 319 mil refugiados enfrentam atrasos no processo de registro, o que dificulta o acesso a serviços essenciais e aumenta o risco de detenções. 

Além disso, até 200 mil mulheres e meninas podem perder o acesso a espaços seguros e programas de prevenção à violência. Cerca de 233 mil crianças também correm o risco de ficar sem serviços de proteção. 

No Sudão, dezenas de milhares de sobreviventes de violência sexual e crianças consideradas em situação de risco extremo podem deixar de receber assistência especializada. 

Jovens refugiadas sudanesas transportam água perto de uma seção eleitoral no campo de refugiados de Zamzam, nos arredores de El Fasher, em Darfur, no Sudão. (Imagem ilustrativa)
Jovens refugiadas sudanesas transportam água perto de uma seção eleitoral no campo de refugiados de Zamzam, nos arredores de El Fasher, em Darfur, no Sudão. (Imagem ilustrativa)
Foto: RFI

Menos autonomia para refugiados 

Diante da escassez de recursos, o Acnur afirma ter sido obrigado a adotar "escolhas difíceis" para priorizar suas ações mais urgentes. Ainda assim, a agência ressalta que a dimensão e a persistência da crise financeira já afetam até mesmo os programas considerados prioritários. 

Os cortes também comprometem iniciativas destinadas a reduzir a dependência da ajuda humanitária. No Iraque, por exemplo, cerca de 350 mil refugiados e requerentes de asilo podem perder acesso a programas de inclusão econômica e oportunidades de geração de renda. 

Para a ONU, a continuidade da redução dos financiamentos coloca em risco não apenas a assistência emergencial, mas também os esforços de longo prazo voltados à integração e à reconstrução da vida de milhões de pessoas deslocadas por conflitos e crises humanitárias. 

RFI com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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