Script = https://s1.trrsf.com/update-1778180706/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mundo

Publicidade

O que esperar da política externa da Alemanha em 2026

25 dez 2025 - 18h10
(atualizado em 26/12/2025 às 09h41)
Compartilhar
Exibir comentários

Governo Merz enfrenta extensa lista de desafios externos, como deterioração das relações com os EUA e crescente dependência da China. Outro desafio é lidar com a rapidez das mudanças geopolíticas.O historiador e cientista político Herfried Münkler recentemente resumiu o que considera ser o principal problema da política externa do governo alemão: "O idealismo liberal de uma ordem internacional baseada em regras revelou-se uma ilusão".

Merz desembarcando durante visita ao Egito. Chanceler federal tem viajado com frequência ao exterior
Merz desembarcando durante visita ao Egito. Chanceler federal tem viajado com frequência ao exterior
Foto: DW / Deutsche Welle

Ao mesmo tempo, o governo alemão continua a considerar a preservação do multilateralismo e de uma ordem internacional baseada em regras como seu objetivo principal. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, alertou que "a China e a Rússia estão tentando reformular a ordem internacional baseada no direito internacional".

O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, por sua vez, disse considerar que a ordem liberal não está sendo questionada apenas por governos há muito considerados autoritários. "Infelizmente, isso também se aplica aos Estados Unidos", disse ele, referindo-se ao presidente Donald Trump. Um recente documento estratégico dos EUA criticando duramente os aliados europeus e a União Europeia (UE) reforçou essa impressão.

Pressão sobre os europeus

Uma grande preocupação entre os líderes políticos e militares alemães é que os Estados Unidos possam estar se distanciando da Europa em questões de segurança. No início de dezembro, o general alemão Christian Freuding disse à revista americana The Atlantic que o contato direto com seus homólogos dos EUA havia sido "cortado".

Em contraste, no passado, Freuding disse à revista, a comunicação era possível "dia e noite". Ele classificou a perda dos canais de contato como "sinal de alerta" — especialmente à luz da possibilidade de um ataque da Rússia a países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no leste europeu.

Os europeus também estão sentindo as consequências da mudança de rumo dos EUA em relação à Ucrânia. Trump propôs inicialmente um acordo de paz que atendesse a muitas das demandas feitas pelo líder russo, Vladimir Putin - depois de várias semanas de negociações, uma nova versão se aproximou das posições ucranianas.

Já a estratégia de segurança dos EUA divulgada no final de 2025 prevê que os americanos busquem uma "estabilidade estratégica" com a Rússia — para o desânimo de outros países da Europa.

"Se chegar ao ponto em que os americanos de alguma forma se retirarem, a pressão sobre os europeus para que sejam capazes de agir e formar um forte contrapeso aumentará mais uma vez", avalia Henning Hoff, do Conselho Alemão de Relações Exteriores.

Merz tem trabalhado com o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, para contrabalançar o declínio da ajuda dos EUA à Ucrânia.

"Ninguém deve duvidar do apoio à Ucrânia", declarou o chanceler federal em dezembro. No entanto, os três líderes precisam lidar com orçamentos apertados, pressão interna da oposição e declínio do apoio público à Ucrânia em seus próprios países.

Dependência da China

Com a indústria alemã dependente de terras raras controladas pela China, Berlim também se tornou cada vez mais dependente de Pequim.

"Os chineses têm sido muito bem-sucedidos em se tornar líderes em muitos campos tecnológicos e assumir posições que tradicionalmente pertenciam à indústria alemã", avalia Hoff. "E, nesse momento, a Alemanha também deixa de ser tão importante."

Merz planeja visitar a China no início de 2026. Na cúpula do G20 em Joanesburgo, Merz disse à DW: "A China poderia exercer um pouco mais de pressão sobre a Rússia para acabar com esta guerra (na Ucrânia). Se necessário, isso também será levantado em minhas conversas com o presidente chinês (Xi Jinping) no próximo ano". No entanto, até o momento, nada sugere que isso possa acontecer.

Alemanha e Israel

Durante visita a Israel em dezembro, Merz disse: "Venho como um amigo de Israel que sabe que a amizade entre a Alemanha e Israel é infinitamente valiosa e preciosa".

Após a ofensiva terrorista lançada pelo grupo palestino Hamas em 7 de outubro de 2023, Israel respondeu com uma campanha militar de dois anos em Gaza que deixou mais de 70 mil mortos.

Ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, Merz reconheceu que a guerra colocou a Alemanha diante de "alguns dilemas".

Ele também invocou a responsabilidade da Alemanha pelo Holocaustoao afirmar que seu governo buscava defender a segurança de Israel, mas acrescentou que faria críticas quando necessário.

Notavelmente, Merz não está mais usando a formulação da ex-chanceler federal Angela Merkel, de que "a segurança de Israel é uma razão de Estado da Alemanha". Em vez disso, ele vem afirmando que apoiar a existência e a segurança de Israel pertence "ao núcleo imutável" das relações entre os dois países.

Em questões-chave, no entanto, os dois governos estão distantes — especialmente na solução de dois Estados. A Alemanha apoia a ideia de um futuro Estado palestino vizinho a Israel. Netanyahu afirma que "o objetivo de um Estado palestino é destruir o único Estado judeu".

Hans-Jakob Schindler, analista do Oriente Médio e de segurança, avalia que a solução de dois Estados é "possivelmente uma visão de futuro muito, muito distante, cuja viabilidade prática está cada vez mais em questão".

Schindler também aponta que a Alemanha e a União Europeia perderam em grande parte seu papel de mediadores no Oriente Médio. "É claro que tanto os palestinos quanto os israelenses veem Washington como o mediador central, e não a Europa", diz Schindler.

A União Europeia pode desempenhar um papel importante na reconstrução de Gaza e no fornecimento de ajuda humanitária, avalia, "mas, como mediadora central, a Europa, em parte, realmente perdeu espaço nos últimos 10 anos".

Alianças incômodas

A Alemanha também precisa decidir como conduzir sua política externa em um mundo onde questões geopolíticas estão mudando rapidamente e as regras internacionais acabam sendo cada vez mais ignoradas.

Johannes Varwick, professor de relações internacionais da Universidade de Halle, na Alemanha, avalia que buscar parceiros que ainda valorizam o multilateralismo — incluindo parceiros incômodos — é a abordagem correta.

"A Alemanha está tentando manter antigas alianças, ao mesmo tempo em que forma novas parcerias e expande redes com outras potências médias em todo o mundo", diz o especialista, citando como exemplos Brasil, México e Vietnã. "Manter um diálogo crítico entre partes diferentes é essencial. Conversar apenas com aqueles que já concordam torna a pessoa bastante solitária nessa realidade da política internacional."

Merz tem enfatizando a política externa alemã como uma prioridade do seu governo desde a sua posse, em maio. Devido às suas muitas viagens ao exterior, ganhou inclusive o apelido zombeteiro de "chanceler da política externa".

Mas, segundo o especialista Henning Hoff, "a política externa do governo Merz ainda é muito lenta" para responder ao cenário global atual.

Para o próximo ano, são esperadas mudanças no Ministério das Relações Exteriores. Entre outras coisas, uma comissão vai se debruçar sobre a questão da dependência em relação à China. "Tudo isso é bom", avalia Hoff, "mas chega com dois, três, quatro, cinco anos de atraso."

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra