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O que é a peste pneumônica e como ela se espalha?

A morte de uma funcionária de um laboratório russo que pesquisa a peste suscitou questionamentos sobre a doença.

7 out 2026 - 14h34
(atualizado às 14h54)
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Resumo
A OMS investiga a morte de uma funcionária de laboratório na Sibéria, sob suspeita de peste pneumônica, embora exames iniciais não confirmem a infecção. Causada pela bactéria Yersinia pestis, presente em roedores, a doença é a forma mais letal da peste, afetando os pulmões e transmitindo-se pelo ar por contato próximo. Com rápida incubação, é quase sempre fatal se não tratada a tempo, mas responde bem a antibióticos precoces. Casos humanos continuam ocorrendo globalmente, exigindo vigilância.
A peste pneumônica é frequentemente descrita como a forma mais virulenta de peste
A peste pneumônica é frequentemente descrita como a forma mais virulenta de peste
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A Organização Mundial da Saúde solicitou à Rússia mais informações sobre a morte de uma funcionária de um laboratório de pesquisa sobre peste na Sibéria.

Ainda não está claro exatamente o que levou a trabalhadora a adoecer, mas as notícias veiculadas pela mídia geraram uma série de especulações.

As autoridades russas ainda estão investigando a causa da morte, mas afirmam que todos que tiveram contato com a cientista testaram negativo para peste pneumônica.

O que é, afinal, a peste pneumônica e qual o seu grau de perigo?

O que é peste pneumônica?

A peste pneumônica é uma infecção pulmonar muito grave, frequentemente descrita como a forma mais virulenta da peste.

Existem outros dois tipos de peste: a bubônica, que afeta os gânglios linfáticos, e a septicêmica, que afeta o sangue.

A peste pneumônica pode ocorrer após uma infecção inicial por um desses outros tipos.

Os sintomas incluem falta de ar, dor no peito e, frequentemente, tosse com sangue. É considerada mais grave, porém menos comum que a peste bubônica.

O número global de infecções pelos três tipos de peste varia a cada ano, cacula-se que fique entre mil e três mil casos.

A maioria desses casos é de peste bubônica, e muitos deles ocorrem na África Central, mas também há registros em outros lugares, incluindo Rússia, Índia, China e Estados Unidos.

Piero Olliaro, professor de Doenças Infecciosas Relacionadas à Pobreza na Universidade de Oxford, afirma que, diferentemente do que pode se pensar, a peste não desapareceu. "A bactéria que causa a doença, Yersinia pestis, persiste em reservatórios de animais em muitas partes do mundo.

"Cerca de 200 espécies de roedores podem abrigar a bactéria, com reservatórios encontrados nas Américas, Eurásia e África."

"Portanto, casos humanos esporádicos continuam a ocorrer, mas a vigilância estabelecida, as medidas de controle de infecção e o tratamento com antibiótico eficaz são ferramentas importantes para limitar seu impacto."

Como se propaga?

A peste é uma doença infecciosa causada por bactérias geralmente encontradas em pequenos mamíferos e suas pulgas.

É possível contrair a doença ao ser picado por uma pulga infectada ou ao manusear um animal infectado.

Mas a transmissão da peste pneumônica de pessoa para pessoa também é possível através da tosse, que libera gotículas infectadas no ar, embora isso normalmente exija um contato bastante próximo.

Também é possível desenvolver a doença se tiver tido peste septicêmica e a infecção se espalhar para os pulmões.

Algumas teorias sugerem que a peste pneumônica foi um dos principais fatores por trás do que ficou conhecido como Peste Negra, o surto massivo que matou milhões de pessoas em toda a Europa no século XIV.

Zania Stamataki, professora associada de Imunologia Viral na Universidade de Birmingham, afirma que é importante que os pesquisadores possam estudar doenças como a peste.

"Eu entendo por que as pessoas acham alarmante a ideia da peste em um laboratório, então vale a pena explicar por que esse trabalho existe", disse ela.

"A peste não é uma doença histórica. Ela permanece endêmica em populações de roedores na África, Ásia e Américas, e casos em humanos ocorrem todos os anos, incluindo surtos da forma pneumônica."

"O diagnóstico, o desenvolvimento de vacinas e a vigilância da resistência aos antibióticos exigem laboratórios que mantenham e estudem o organismo vivo."

"Este trabalho é vital para nos prepararmos contra surtos."

Característica morfológica de uma pulga retratada em imagem de microscopia eletrônica de varredura (MEV) colorida digitalmente.
Característica morfológica de uma pulga retratada em imagem de microscopia eletrônica de varredura (MEV) colorida digitalmente.
Foto: Smith Collection/Gado/Getty Images / BBC News Brasil

Tem tratamento?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a peste pneumônica tem um período de incubação muito curto, às vezes de apenas 24 horas.

Se não for diagnosticada e tratada rapidamente, os especialistas alertam que é quase sempre fatal.

Mas a boa notícia é que a peste responde bem aos antibióticos se o tratamento começar cedo.

Malick Gibani, professor e pesquisador do tema no Imperial College London, afirma que a infecção é amplamente reconhecida como uma séria ameaça à saúde pública.

"A peste pneumônica é uma manifestação muito grave da peste", diz. "Alguns livros didáticos afirmam que a doença tem 100% de mortalidade se não for tratada, e é difícil obter números precisos na era moderna."

Ele explica que a doença é tratável com antibióticos, principalmente se o tratamento for iniciado precocemente. "É por isso que qualquer pessoa com alto risco potencial de exposição pode receber profilaxia pós-exposição com antibióticos e/ou quarentena."

No caso russo, ainda não está claro se a pessoa que morreu foi infectada pela peste pneumônica.

As autoridades russas emitiram um comunicado afirmando que os exames não detectaram "nenhum microrganismo associado às atividades profissionais do paciente" - portanto, neste momento, ainda não está muito claro o que aconteceu.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que Washington estava analisando o caso "com muita atenção", enquanto os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, a agência nacional de saúde pública americana, afirmaram que "não havia indicação de uma ameaça mais ampla aos Estados Unidos".

A Autoridade de Saúde e Segurança do Reino Unido afirmou que está buscando mais informações, mas que o risco para a população britânica é "muito baixo".

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