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Novo premiê britânico Andy Burnham promete encerrar anos de instabilidade

20 jul 2026 - 08h42
(atualizado em 21/7/2026 às 03h38)
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Andy Burnham tornou-se, nesta segunda-feira, ‌o sétimo primeiro-ministro da Reino Unido nesta década, comprometendo-se a reformular a política do país para implementar um novo modelo econômico e revitalizar uma nação "cansada" da constante rotatividade de líderes.

Diante de dezenas de apoiadores do lado de fora de seu novo escritório e residência no número 10 da Downing Street, em Londres, Burnham afirmou que os políticos não conseguiram trazer a estabilidade necessária para elevar os padrões de vida, algo que ele disse que mudará, tanto com medidas imediatas quanto com um plano ⁠de longo prazo a ser elaborado ainda este ano.

Falando sem anotações, Burnham proferiu um discurso com foco em questões internas, com o ‌objetivo de oferecer esperança a uma nação que, assim como muitos países europeus, vem enfrentando há anos o aumento vertiginoso dos preços e um crescimento econômico anêmico. Ele não abordou assuntos de relações exteriores.

"Sei que as pessoas aqui no país estão ‌cansadas da política. Eu as ouço e quero ser honesto com vocês: não ‌temos sido bons o suficiente e precisamos melhorar", disse ele, dispensando o púlpito que os primeiros-ministros costumam usar.

Burnham prometeu ⁠usar seu mandato como primeiro-ministro como um "disjuntor para a Grã-Bretanha", argumentando que é necessário um novo modelo para reconstruir o país, que vem passando por turbulência política desde a votação de 2016 pela saída da União Europeia.

BURNHAM PROMETE PLANO DE 10 ANOS PARA DAQUI A VÁRIOS MESES

Pouco mais de uma hora depois que seu antecessor e colega do Partido Trabalhista, Keir Starmer, fez seu discurso de despedida dizendo "meu trabalho está concluído", o ex-prefeito da Grande Manchester, de 56 anos, entrou em Downing Street, onde ‌afirmou que sua equipe enfrentará sua primeira prioridade: acabar com a situação de pessoas dormindo nas ruas.

Os principais desafios estarão então à ‌frente.

Burnham deve primeiro divulgar seu gabinete — que ⁠já é objeto de muito ⁠debate no Partido Trabalhista — e, em seguida, lidar com uma longa lista de problemas que vão desde altos níveis de imigração ilegal até ⁠empresas de serviços públicos com desempenho insatisfatório.

Starmer, destituído por seus próprios parlamentares há ‌um mês, disse que seu trabalho ‌como primeiro-ministro foi "o privilégio da minha vida" e que desejava a Burnham todo o sucesso, com "meu total apoio".

Burnham não fez referência a Starmer em seu discurso, concentrando-se, em vez disso, em como promoverá mudanças. Mas ele reconheceu que parte de seu programa levará tempo.

Em seu breve discurso, com poucos detalhes sobre políticas, Burnham disse que divulgará um plano ⁠para a próxima década nos próximos meses. Os partidos da oposição sugeriram que ele precisaria vencer uma eleição nacional para obter o mandato necessário para implementá-lo.

Burnham também disse que apresentará medidas imediatas na terça-feira para aliviar as pressões do dia a dia dos britânicos e explicará como as financiará.

A longo prazo, Burnham afirmou que construirá mais moradias populares para ajudar a reduzir os gastos com assistência social, o que abrirá espaço para um maior ‌investimento em defesa.

Apelidado de "Rei do Norte" por sua defesa obstinada dos interesses da região de Manchester, Burnham recebeu mensagens de parabéns de líderes estrangeiros, incluindo líderes europeus que pediram laços mais estreitos.

Burnham disse que suas primeiras ligações seriam para o ⁠presidente dos EUA, Donald Trump, e para o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, país ao qual ele expressou apoio contínuo.

PARTIDO TRABALHISTA APOIA BURNHAM PARA SUPERAR REFORM UK

Os parlamentares trabalhistas veem Burnham como uma das poucas figuras capazes de enfrentar a ameaça do partido populista Reform UK, liderado pelo veterano ativista do Brexit Nigel Farage — algo que duvidavam que o impopular Starmer pudesse fazer.

Uma das primeiras decisões fundamentais de Burnham será a escolha do ministro das Finanças. Atritos nesse eixo do governo já derrubaram governos anteriores.

Um dos primeiros favoritos para o cargo, o ministro da Segurança Energética e das metas de Emissões Zero, Ed Miliband, tem sido alvo de críticas hostis, e a ministra do Interior, Shabana Mahmood, parece agora ser a favorita para o cargo.

No domingo, Burnham descartou planos de exigir que todos os trabalhadores tenham um documento de identidade digital, um esquema destinado a combater a imigração ilegal, mas considerado um "fiasco" por uma comissão pluripartidária de parlamentares.

Será dada maior atenção às decisões sobre tributação e gastos, petróleo e gás, e empresas de serviços públicos com desempenho insatisfatório, áreas nas quais Burnham deseja um controle público mais rigoroso.

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