Netanyahu ordena remoção de postos avançados de colonos israelenses na Cisjordânia, dizem fontes
Sob forte pressão dos Estados Unidos para conter ataques contra palestinos, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou o desmantelamento de postos avançados não autorizados de colonos na Cisjordânia, visando cerca de cem ocupações ilegais. A medida ocorre após duras críticas de Washington, que classificou a violência dos colonos como terrorismo. Embora o ministro das Finanças discorde da ação, a ordem foca áreas de maioria palestina, sem cronograma de início divulgado.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou o desmantelamento de postos avançados não autorizados de colonos na Cisjordânia, afirmaram neste domingo duas pessoas a par do assunto, em meio à pressão dos EUA para que sejam tomadas medidas contra os ataques de colonos a palestinos.
A ordem se aplica aos postos avançados estabelecidos por colonos sem autorização oficial do Estado de Israel, disseram as fontes. Esses postos avançados geralmente consistem em trailers pré-fabricados e abrigam um pequeno número de colonos. O Estado tem, de tempos em tempos, demolido tais estruturas e também reconhecido formalmente outras, permitindo que elas tenham acesso a financiamento governamental.
Não ficou imediatamente claro quando a operação teria início.
Órgãos da ONU e a maioria dos governos consideram todos os assentamentos israelenses ilegais segundo o direito internacional. Eles também consideram a Cisjordânia um território ocupado sob controle militar. Israel argumenta que o território é disputado, não ocupado.
EUA DEFENDEM AÇÃO CONTRA VIOLÊNCIA DE COLONOS
Netanyahu havia ordenado o despejo dos postos avançados não autorizados em resposta à pressão dos Estados Unidos, o aliado mais próximo do país, segundo as fontes.
O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, denunciou no sábado os colonos violentos como terroristas e pediu que eles enfrentassem consequências severas, após uma reunião com vários palestinos-americanos em uma cidade palestina da Cisjordânia.
O site israelense Ynet informou anteriormente que as ordens visavam cerca de 100 postos avançados em todo o território ocupado.
O gabinete do primeiro-ministro israelense e as forças armadas, que normalmente participariam da remoção de quaisquer postos avançados na Cisjordânia, não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, questionado em uma conferência em Jerusalém sobre a reportagem do Ynet, disse que Netanyahu deu "uma instrução para desocupar locais construídos nas Áreas A e B", referindo-se às partes da Cisjordânia onde vive a maioria dos palestinos.
De acordo com os Acordos de Oslo -- acordos de paz provisórios firmados na década de 1990 entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) -- a Cisjordânia foi dividida em três zonas: A, B e C.
Smotrich, ele próprio um colono que supervisionou projetos habitacionais nos assentamentos e reconheceu formalmente casas construídas ilegalmente, disse que, embora discorde da decisão de Netanyahu, o governo teve grandes avanços na promoção dos assentamentos na Área C.
POSTOS AVANÇADOS EM TODA A CISJORDÂNIA
Existem 340 postos avançados na Cisjordânia, além de 146 assentamentos formalmente reconhecidos pelo governo israelense, de acordo com a Peace Now, uma organização israelense que critica a expansão dos assentamentos e defende uma solução de dois Estados.
No mês passado, colonos israelenses cercaram as casas de palestinos em uma vila próxima, incluindo uma de propriedade de um palestino-americano, antes que os militares os expulsassem da área. Os moradores palestinos da vila afirmaram que continuam enfrentando assédio e intimidação por parte dos colonos israelenses.
O governo israelense condenou a violência dos colonos, embora os autores raramente sejam presos e, com ainda menos frequência, levados a julgamento.
No sábado, o embaixador norte-americano afirmou que era do próprio interesse de Israel tomar medidas contra os colonos que praticam o que ele descreveu como "comportamento criminoso e terrorismo".
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