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Netanyahu instrui forças israelenses a expandir controle de Gaza para 70%

28 mai 2026 - 17h15
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O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ‌disse que instruiu as Forças Armadas de Israel, nesta quinta-feira, a avançar em Gaza e tomar inicialmente 70% do território palestino, onde a população já vive encurralada em uma pequena faixa de terra ao longo da costa.

Israel controla efetivamente cerca de 64% da pequena faixa costeira, bombardeada até as ruínas pela operação militar de dois anos de Israel que se ⁠seguiu ao ataque do Hamas ao sul de Israel em 2023.

Trégua intermediada pelos Estados Unidos ‌em outubro que não conseguiu interromper os ataques israelenses nem garantir o desarmamento do Hamas determinava que as tropas israelenses deveriam se retirar para uma "Linha Amarela" que demarca a ‌extensão de seu controle. Marcada em mapas militares, essa ‌linha colocava Israel no controle de cerca de 53% de Gaza, com o ⁠Hamas governando o restante.

A Reuters informou que Israel moveu unilateralmente os blocos de concreto que marcam a Linha Amarela no solo para dentro do território controlado pelo Hamas. Mapas divulgados pelos militares em março mostraram uma área restrita ainda maior que, segundo analistas, delimita cerca de 64% do território de Gaza no total.

Netanyahu afirmou várias vezes em comentários públicos que os ‌militares controlam mais de 60% de Gaza. Falando em uma conferência em um assentamento na ‌Cisjordânia ocupada, o líder israelense ⁠disse que ainda mais ⁠de Gaza deve ser tomada.

"Estávamos em cinquenta, passamos para sessenta. Minha diretriz é avançar para -- vamos passo ⁠a passo", disse Netanyahu nesta quinta-feira.

"Primeiro de tudo, ‌setenta. Vamos começar com isso. ‌Estamos pressionando eles (o Hamas) de todos os lados. Vamos lidar com os remanescentes."

TRÉGUA

Netanyahu descreve o território que Israel tomou em Gaza, na Síria e no Líbano como "zonas de amortecimento" que podem evitar possíveis ataques de militantes após o ataque liderado pelo Hamas ⁠em 7 de outubro de 2023 que desencadeou a guerra de Gaza.

Os palestinos veem a ampliação da zona-tampão de Gaza por Israel como parte de uma estratégia para deslocá-los permanentemente, apontando para comentários de ministros, incluindo o chefe de defesa Israel Katz, dizendo que eles querem incentivar a "migração voluntária" de Gaza.

A ‌diretriz de Netanyahu ocorre no momento em que Israel intensifica seus ataques em Gaza que, segundo ele, têm como alvo líderes do Hamas que estiveram envolvidos nos ataques de ⁠2023. Israel matou, na terça-feira, o chefe do braço armado do Hamas, dez dias depois de matar seu antecessor.

Autoridades de saúde de Gaza afirmam que um ataque adicional na noite de quarta-feira, que segundo Israel tinha como alvo dois líderes do Hamas, matou pelo menos 10 pessoas, incluindo cinco crianças, e feriu outras 18.

O ataque ocorreu quando os palestinos comemoravam o feriado muçulmano de Eid al-Adha, que muitos em Gaza celebraram reunindo-se em acampamentos de tendas e em prédios bombardeados.

Etidal Al-Za'im relatou que estava com sua família dentro de sua barraca comemorando o feriado quando, de repente, os escombros de prédio ao lado deles atacado por Israel caíram sobre eles.

"Saímos com o som de um estrondo e ficamos sentados por uma hora antes de conseguirmos passar pelos (escombros) e encontrar uma saída da barraca", disse ela.

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