Navi Pillay dedica Nobel da Paz a 'sobreviventes de crimes internacionais'
Jurista sul-africana também defendeu TPI de ataques dos EUA
A jurista sul-africana Navi Pillay dedicou o Nobel da Paz de 2026 aos sobreviventes de crimes internacionais. Em Nuremberg, Pillay denunciou os ataques políticos ao Tribunal Penal Internacional e cobrou de líderes a obrigação legal de evitar guerras. Com trajetória histórica na luta contra o apartheid e em cortes globais da ONU, a magistrada foi homenageada por sua atuação decisiva no combate à impunidade por crimes de guerra, genocídios e violações dos direitos humanos.
A jurista sul-africana Navi Pillay, vencedora do Nobel da Paz em 2026, dedicou o prêmio a "todos os sobreviventes de crimes internacionais".
A declaração foi dada durante coletiva de imprensa na histórica sala de audiências do Tribunal de Nuremberg, na Alemanha, onde foram julgados os principais líderes nazistas após a Segunda Guerra Mundial.
"Gostaria de dedicar este prêmio a todos os sobreviventes de crimes internacionais", disse Pillay, de 85 anos de idade.
A jurista também denunciou os ataques contra o Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia, cujos membros foram sancionados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em represália pela emissão de um mandado de prisão contra o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu.
"Estamos atravessando uma época em que o direito internacional e os direitos humanos são objeto de pesados ataques políticos. Essa deterioração é particularmente evidente nos ataques dirigidos ao Tribunal Penal Internacional", lamentou Pillay, lembrando que, no mês passado, Trump chamou a instituição de "maléfica" e "fora da lei".
A Nobel da Paz ainda fez um apelo a líderes internacionais para abdicarem de conflitos armados. "Vocês estão sujeitos a uma obrigação jurídica. Quaisquer que sejam os outros deveres morais que tenham, vocês têm a obrigação legal de proteger os direitos humanos e de se abster de fazer a guerra", disse.
Trajetória - Nascida em 23 de setembro de 1941, em Durban, em uma família de origem indiana tamil, Pillay se tornou advogada e enfrentou a discriminação estrutural do regime segregacionista, defendendo Nelson Mandela e outros opositores do apartheid.
Pillay foi a primeira mulher não branca a ocupar o cargo de juíza na Alta Corte da África do Sul. Também atuou como magistrada do Tribunal Penal Internacional para Ruanda e do TPI, além de ter sido alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014.
Mais recentemente, presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, função em que acusou Israel de genocídio na Faixa de Gaza. Atualmente, é juíza da Corte Internacional de Justiça (CIJ) no caso em que Mianmar é acusado de genocídio.
"O Prêmio Nobel da Paz de 2026 é concedido a uma pessoa que, com coragem e integridade excepcionais, liderou o caminho rumo a uma ordem jurídica global mais abrangente. A laureada deste ano desempenhou um papel fundamental para garantir que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio sejam processados", declarou o comitê responsável pela premiação.
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