Morre o general sérvio Ratko Mladic, o 'carniceiro da Bósnia'
General foi artífice do massacre de Srebrenica e de cerco a Sarajevo
O general sérvio Ratko Mladic, conhecido como o "carniceiro da Bósnia", morreu em Haia, onde cumpria prisão perpétua por genocídio e crimes de guerra. Condenado pelo Tribunal Penal Internacional, ele foi o responsável pelo massacre de mais de 8 mil muçulmanos em Srebrenica, em 1995 — a pior atrocidade na Europa desde a Segunda Guerra Mundial —, além do sangrento cerco a Sarajevo. Mladic estava com a saúde debilitada e teve sucessivos pedidos de soltura negados pela Justiça internacional.
O general sérvio Ratko Mladic, condenado à prisão perpétua pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia por genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade na Bósnia e Herzegovina, morreu nesta quinta-feira (27). Ele tinha entre 83 e 85 anos de idade, já que sua data de nascimento é incerta.
Apelidado de "carniceiro da Bósnia" por seu papel no pior massacre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, em Srebrenica, Mladic estava detido desde 2024 em um hospital psiquiátrico em Haia e sofreu diversas paradas cardíacas nos últimos meses.
O governo da Sérvia, onde ele ainda é tratado por muitos como herói, e a família chegaram a pedir sua libertação por motivos de saúde, mas os pedidos sempre foram negados pelo TPI, que alegava que o general recebia os tratamentos paliativos necessários.
Em julho de 1995, as forças sérvio-bósnias comandadas por Mladic executaram mais de 8 mil homens e meninos bosníacos (como são chamados os muçulmanos da Bósnia) que haviam buscado refúgio na pequena cidade de Srebrenica, então sob a proteção de tropas holandesas da Organização das Nações Unidas (ONU).
Mladic comandou massacre de 8 mil homens e meninos em SrebrenicaMladic alegava que era seu "destino" defender o povo sérvio contra a influência do Ocidente e foi condenado à prisão perpétua pelo TPI em 2017.
Segundo o tribunal, o massacre de Srebrenica foi orquestrado pelo general e por seu alter ego político, Radovan Karadzic, então líder político dos sérvio-bósnios e que cumpre pena de 40 anos de prisão.
No comando das forças sérvio-bósnias, Mladic também supervisionou o brutal cerco a Sarajevo, entre 1992 e 1995, quando milhares de homens, mulheres e crianças, muitos deles dentro de suas próprias casas, foram assassinados por franco-atiradores escondidos nas montanhas ao redor da cidade.
"Morreu o general sérvio Ratko Mladic, comandante eterno do Exército da República Srpska [República Sérvia, uma das duas entidades políticas que formam a Bósnia e Herzegovina]", escreveu o jornal "Politika", um dos principais diários de Belgrado.
"O ex-comandante do Estado-Maior faleceu em Haia, longe de sua pátria, da família e do povo ao qual dedicou sua vida militar", acrescentou.
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