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'Mesmo que a gente morra, algo precisa mudar': iranianos contam à RFI o cotidiano sob bombas

Há quase uma semana, a população iraniana vive sob os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel, em uma guerra cuja escalada é incalculável e que corre o risco de se estender por semanas. A RFI conseguiu conversar com moradores em Teerã.

6 mar 2026 - 10h30
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Com informações de Catalina Gómez Ángel, correspondente da RFI em Teerã, e Nicolas Falez, da RFI em Paris

Vestido de preto, Mohammad caminha diante do prédio que até quarta‑feira (4) era sua casa, no conjunto residencial Borojourdi, no leste de Teerã. "Às 11h43 da manhã caíram três ou quatro mísseis", relata o morador, observando os destroços. 

No edifício em frente, o sétimo e o oitavo andar desapareceram por completo. Independentemente do grau de destruição, todas as moradias da região estão inabitáveis. 

As equipes de socorro realizam buscas entre os destroços. "O Crescente Vermelho está aqui, eles estão trabalhando. Existe a possibilidade de que alguém que estivesse no prédio esteja sob os escombros", explica Mohammadi, preocupado.

Embora o conjunto habitacional tenha sido construído décadas atrás pelo Ministério da Defesa, Mohammadi esclarece que o local era habitado exclusivamente por civis, principalmente aposentados e suas famílias. Esse setor da cidade tem uma relação histórica com os militares, mas o morador insiste que não havia razão para atacá‑lo. "Aqui crianças foram martirizadas. Donas de casa foram martirizadas", diz.  

Segundo Mohammadi, 18 pessoas foram mortas pelos bombardeios neste setor da capital. "Precisamos responder a esses ataques", defende. 

Teerã: uma cidade fantasma

Por telefone e sob anonimato, um outro cidadão iraniano descreve ao jornalista Nicolas Falez seu cotidiano. "Primeiro, a gente ouve os aviões passando e, de repente, escuta os bombardeios. É realmente muito, muito assustador", diz.

Segundo ele, neste sétimo dia de guerra, a capital iraniana parece "uma cidade fantasma". "Teerã está totalmente vazia. A maior parte das pessoas fugiu, foram para o norte, para o mar Cáspio, ou para vilarejos pequenos", diz. 

No entanto, até o momento, não há problemas de abastecimento. "Por enquanto, encontramos o que precisamos nas lojas. Elas estão abertas e as pessoas vêm fazer suas compras, graças a Deus. E também há água encanada e eletricidade", conta. 

A possibilidade de uma guerra longa não o assusta. "Já faz quase meio século que vivemos sob este sistema; agora, isso precisa mudar. Mesmo que a gente morra, não tem problema, mas algo precisa mudar", insiste ele.

Oposto ao regime, este iraniano comemora a morte do líder supremo Ali Khamenei, em um bombardeio no último sábado (28). "Ele matou muita gente. Já estávamos cansados dele. Ele era realmente um ditador. Estamos muito, muito felizes!". 

No entanto, ele lembra que nem todos os iranianos compartilham dessa opinião. "As pessoas que apoiam esse regime, essas sim, estão tristes, claro", pondera. 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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