Memorial a testemunhas de Jeová perseguidas no nazismo é inaugurado em Berlim
Passados 81 anos desde o fim da Segunda Guerra, Berlim inaugura monumento em homenagem aos mortos e perseguidos por integrar movimento religioso cristão. Adeptos rejeitavam o Führer e fugiam do serviço militar.Um memorial para homenagear as testemunhas de Jeová perseguidas pelo regime da Alemanha nazista foi inaugurado em um parque de Berlim nesta quarta-feira (24/06), 81 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial.
"Este memorial é dedicado às pessoas que sofreram amarga injustiça e, ainda assim, repetidamente demonstraram humanidade", disse Julia Klöckner, presidente do Bundestag (Parlamento alemão), durante a cerimônia de inauguração no parque Tiergarten.
Membros das testemunhas de Jeová, um movimento religioso de origem cristã que surgiu nos Estados Unidos no século 19, foram sistematicamente perseguidos na Alemanha e em outras partes da Europa durante o regime nazista, de 1933 a 1945. Ao menos 1.750 testemunhas de Jeová foram mortas nesse período.
"Quase 14 mil testemunhas de Jeová - mulheres e homens - foram presas, incluindo 4.200 em campos de concentração, onde foram estigmatizadas com um 'triângulo roxo'", afirma a fundação em seu site.
Eles praticavam sua religião em segredo, já que haviam sido banidos por Hitler.
Não faziam saudação nazista
Segundo a fundação federal responsável pelo memorial, os membros dessa religião rejeitavam Adolf Hitler, se recusavam a fazer a saudação nazista, não se filiavam a organizações estatais, fugiam do serviço militar e ajudavam outras pessoas que estavam sendo perseguidas.
A fundação também administra o memorial do Holocausto em Berlim, um amplo espaço no centro da cidade, próximo do Portão de Brandemburgo, e não muito distante do memorial às testemunhas de Jeová.
Com cinco metros de altura, o memorial de bronze foi projetado pelo artista Matthias Leeck para se assemelhar a uma árvore que permanece firme, mesmo com seus galhos cortados.
O memorial foi erguido próximo ao lago dos peixes dourados no parque Tiergarten, onde um grupo de testemunhas de Jeová foi preso pela polícia da Gestapo em 22 de agosto de 1936, segundo a fundação. Ao menos 17 morreram em consequência das torturas sofridas.
Na época, os membros costumavam se reunir próximo do lago para trocar informações secretamente.
"A Gestapo realizou sua batida exatamente aqui, onde 17 pessoas corajosas posteriormente perderam a vida", disse Wolfram Weimer, comissário de cultura da Alemanha, durante a cerimônia.
Na ocasião, Klöckner observou que, mesmo após o fim do domínio nazista, algumas comunidades religiosas continuaram a ser vistas com desconfiança no país. É por isso, disse Klöckner, que o memorial demorou tanto para ser construído - a obra cumpre uma lei aprovada no parlamento em 2023.
"A fé delas permaneceu estranha e suspeita para muitas pessoas. Sua perseguição e sofrimento não foram suficientemente reconhecidos", afirmou.
Hoje, as testemunhas de Jeová somam 180 mil pessoas na Alemanha; na década de 1930, eram 25 mil, segundo a agência de notícias AFP.
Além de ter sido responsável pela morte de 6 milhões de judeus, o nazismo também perseguiu e assassinou dissidentes, homossexuais, vadios e desajustados, pessoas de etnia sinti ou roma, comunistas, pessoas com deficiência e eslavos.
ra (dpa, AFP, ots)
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