Manifestantes matam enfermeiro que tratava pacientes com Ebola no Congo
Um enfermeiro veterano que tratava pacientes com Ebola foi assassinado por jovens em Bafwasende, no leste da República Democrática do Congo, em um ataque motivado por desinformação popular. A agressão deixou outro profissional ferido e forçou equipes de saúde a buscarem proteção policial e militar no hospital local. A violência reflete a grave hostilidade contra agentes de saúde na província de Tshopo, região que enfrenta um surto com quase 10 mil casos e taxa de letalidade de 48,6%.
Jovens mataram um enfermeiro veterano que tratava pacientes com Ebola no leste do Congo e outros profissionais de saúde estavam abrigados sob proteção policial, informaram autoridades de saúde nesta segunda-feira, no mais recente de uma série de ataques alimentados por desinformação.
O enfermeiro trabalhava no hospital geral da cidade de Bafwasende, na província de Tshopo, onde procurava ajudar os moradores a entender e se proteger do Ebola. Ele foi atacado e morto na sexta-feira.
"Estamos chocados com a forma como a população se voltou contra esse enfermeiro. É impossível acreditar que ele tenha sido confundido com um estranho", disse uma autoridade local de saúde à Reuters.
Um colega sobreviveu ao ataque e estava se recuperando no hospital, disse a autoridade. Outros profissionais de saúde estavam se refugiando no hospital geral sob proteção policial, com medo de voltar para casa, enquanto o exército também foi mobilizado temporariamente para a área, acrescentou ele.
"Nenhum dos enfermeiros tem dormido em casa porque temem pela própria segurança", acrescentou a autoridade.
Tshopo está entre as oito províncias do Congo que enfrentam um surto de rápida disseminação da cepa Bundibugyo do vírus Ebola. O instituto de saúde pública do Congo informou na sexta-feira um total de 9.964 casos confirmados, com uma taxa de letalidade de cerca de 48,6% desde que o surto foi declarado em maio.
Os ataques a profissionais de saúde têm como alvo hospitais, veículos e equipes envolvidas na resposta ao Ebola, o que ressalta o desafio de construir confiança entre a população.
A autoridade de saúde local disse que jovens da região já haviam atacado outro colega, incendiando sua casa, sem especificar a data desse incidente.
A Reuters já havia noticiado como a rápida disseminação de desinformação sobre saúde representava uma ameaça aos profissionais de saúde no leste do Congo, mesmo antes do Ebola começar a se espalhar, com vários deles sendo mortos em Tshopo após serem acusados de espalhar uma doença imaginária que causava atrofia dos órgãos genitais masculinos.
"O assassinato de um enfermeiro ontem em Bafwasende é uma perda para a resposta ao Ebola e uma perda ainda maior para os pacientes", afirmou Julien Harneis, coordenador sênior das Nações Unidas para o Ebola, em uma postagem no X no domingo.
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