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Líder da oposição venezuelana Corina Machado retorna à Venezuela

25 out 2026 - 12h59
(atualizado às 14h10)
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Resumo
A líder da oposição venezuelana e Nobel da Paz, María Corina Machado, retornou à Venezuela após quase um ano no exterior, buscando articular eleições livres e apoiar vítimas de recentes terremotos. Sua volta amplia atritos com Donald Trump, que mantém apoio à presidente interina Delcy Rodríguez, priorizando acordos petrolíferos e afirmando ser cedo para um pleito democrático. Machado, cujo grupo rejeita as negociações do governo interino com outros opositores, deve receber o aliado Edmundo González.

A líder da oposição venezuelana ‌Maria Corina Machado retornou à Venezuela após passar quase um ano fora do país, anunciou ela própria em uma publicação nas redes sociais neste domingo.

"Estou aqui. Com todos vocês", escreveu Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, em uma mensagem publicada nas primeiras horas deste domingo.

A equipe de imprensa de Machado divulgou imagens dela no Estado de Lara, no centro-oeste do país, na Plaza del ⁠Pueblo de Santa Rosa, onde a líder opositora apareceu em uma igreja.

A questão de seu retorno tem ‌gerado tensões em sua relação com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ela vinha tentando cultivar como aliado desde antes da saída do poder do presidente Nicolás ‌Maduro, em janeiro.

Trump tem manifestado repetidamente apoio à presidente interina ‌Delcy Rodríguez, ex-vice de Maduro, e elogiado acordos de produção de petróleo e outros empreendimentos ⁠de empresas norte-americanas na Venezuela. Em setembro, Trump afirmou que ainda era cedo para considerar a realização de eleições democráticas no país.

Falando na Casa Branca neste domingo, Trump disse não ter conhecimento do retorno de Machado à Venezuela e indicou que os Estados Unidos continuariam apoiando Rodríguez.

"Ela é uma mulher muito simpática", afirmou, referindo-se a Machado. "Mas estamos indo muito bem na Venezuela."

Em entrevista à Fox ‌News neste domingo, Trump também afirmou que os Estados Unidos tinham "controle total sobre a Venezuela".

"Estamos sendo muito ‌justos", disse. "Mas estamos retirando milhões de ⁠barris de petróleo por ⁠semana."

Nem a Casa Branca nem o Ministério da Comunicação da Venezuela, responsável por responder às consultas da imprensa em ⁠nome do governo, responderam imediatamente aos pedidos de ‌comentário sobre o retorno de Machado.

Machado ‌pretende se reunir com vítimas dos terremotos mortais que atingiram a Venezuela em junho, bem como com familiares de presos políticos, representantes da comunidade internacional e diversos líderes do movimento democrático venezuelano, disse à Reuters David Smolansky, seu principal assessor para assuntos internacionais.

"Ela trabalhará ativamente ⁠para definir uma data para eleições livres e justas", acrescentou.

Empresas internacionais do setor de energia comprometeram-se no mês passado a ampliar seus projetos no país durante uma cerimônia acompanhada por Rodríguez e pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright.

Machado tem afirmado que apenas um "governo sério e democrático" pode oferecer a estabilidade necessária aos investidores. Em junho, ‌ela declarou que faria o que fosse necessário para voltar ao país e ajudar os sobreviventes dos dois terremotos devastadores daquele mês, que mataram pelo menos 6.500 pessoas e deixaram milhares de ⁠desaparecidos.

Machado estava impedida pelo governo Maduro de deixar a Venezuela, mas saiu secretamente do país no fim de 2025 para receber o Prêmio Nobel da Paz, após passar mais de um ano vivendo majoritariamente na clandestinidade.

Seu desejo de retornar provocou atritos em Washington, com autoridades norte-americanas pedindo que ela adiasse a viagem, informou a Reuters em junho.

Machado não revelou mais detalhes sobre seu paradeiro atual nem sobre como retornou ao país.

Uma facção da oposição e o governo interino realizaram neste mês sua mais recente rodada de negociações, que busca reformular o Tribunal Supremo de Justiça e o Conselho Nacional Eleitoral, entre outros objetivos, com vistas a futuras eleições. O movimento político de Machado não participa dessas conversas.

Edmundo González, ex-candidato presidencial do movimento de Machado e que vive na Espanha, confirmou o retorno da líder opositora em uma publicação própria e afirmou que em breve se juntará a ela.

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