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Kiev vive luto após ataque em larga escala com saldo de dezenas de mortes e expõe escalada da guerra

Kiev amanheceu de luto nesta sexta-feira (15), após uma das ofensivas mais intensas desde o início da invasão russa. Ao menos 24 pessoas morreram, entre elas três crianças, e dezenas ficaram feridas em ataques que atingiram diversos bairros da capital. Mísseis e drones atingiram prédios residenciais, deixando civis sob os escombros, enquanto equipes de resgate seguem nas buscas. O bombardeio, poucos dias após o fim de uma trégua, agrava o impasse militar e sugere uma nova escalada do conflito.

15 mai 2026 - 07h57
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Equipes de resgate seguem mobilizadas na busca por sobreviventes sob os escombros de um edifício residencial destruído no distrito de Darnytskyi, uma das áreas mais atingidas. O trabalho é contínuo desde a noite de quarta para quinta-feira, quando a ofensiva começou, evidenciando a dimensão da devastação.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, visita prédio residencial atingido por ataque russo em 14 de maio de 2026, em Kiev. Divulgação via Reuters.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, visita prédio residencial atingido por ataque russo em 14 de maio de 2026, em Kiev. Divulgação via Reuters.
Foto: via REUTERS - STATE EMERGENCY SERVICE OF UKRAI / RFI

A ação militar russa ocorreu apenas dois dias após o fim de uma trégua de três dias anunciada durante as celebrações do término da Segunda Guerra Mundial, esvaziando rapidamente qualquer expectativa de redução duradoura da violência. Segundo a força aérea ucraniana, 675 drones e 56 mísseis foram lançados em uma única noite; a maioria foi interceptada, sem impedir danos generalizados.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o volume dos ataques demonstra a ausência de sinais de recuo por parte de Moscou. Ele mencionou o lançamento de mais de 1.500 drones em menos de 24 horas e classificou a ofensiva como incompatível com qualquer perspectiva de encerramento do conflito. Em Darnytskyi, um dos mísseis destruiu completamente um prédio residencial de nove andares, símbolo do impacto direto sobre áreas civis.

Rastro de destruição

Os ataques atingiram cerca de 12 distritos na capital e em sua região metropolitana, deixando um rastro de destruição na infraestrutura civil. Moradores relataram cenas de desespero durante a noite, marcada por explosões sucessivas e pela atuação constante dos sistemas de defesa antiaérea. "Tudo estava em chamas, as pessoas gritavam", disse um residente, resumindo o clima de pânico na cidade.

A ofensiva não se restringiu a áreas urbanas. No sul da Ucrânia, um veículo das Nações Unidas foi atingido por drones russos, sem registro de feridos. Zelensky afirmou que o alvo era claramente identificável, sugerindo um ataque deliberado, uma acusação que amplia o peso político do episódio.

Para o governo ucraniano, a escalada também tem dimensão simbólica e internacional. Um integrante da presidência avaliou que a intensidade pode ter sido calculada para coincidir com o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na China, projetando força em meio a discussões globais. Dias antes, o próprio Zelensky havia apelado aos dois líderes para que tratassem de formas de encerrar a guerra.

No plano externo, aliados europeus reagiram com críticas à Rússia. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que os bombardeios evidenciam a fragilidade de Moscou diante da incapacidade de concluir a guerra. Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, apontou uma aposta deliberada na escalada militar em detrimento da negociação.

Avanços se limitam a trocas de prisioneiros

O contexto diplomático ajuda a explicar o endurecimento das posições. As negociações entre Kiev e Moscou, conduzidas com mediação dos Estados Unidos, estão paralisadas desde o fim de fevereiro, quando a crise no Oriente Médio alterou o foco das articulações internacionais. Até agora, os avanços concretos têm se limitado a trocas de prisioneiros.

Nesse contexto, houve um novo movimento nesta sexta-feira, com a troca de 205 militares de cada lado, em operação mediada pelos Emirados Árabes Unidos. Os soldados russos libertados foram encaminhados a Belarus para receber atendimento médico e psicológico. Apesar da manutenção de um canal mínimo de diálogo, essas trocas têm se mostrado insuficientes para destravar negociações mais amplas.

Enquanto isso, combates seguem em várias regiões da Ucrânia e também atingem o território russo. Autoridades da cidade de Riazan, ao sudeste de Moscou, informaram que ataques ucranianos deixaram três mortos e 12 feridos. O Ministério da Defesa russo afirmou ainda ter interceptado centenas de drones em diferentes regiões durante a mesma noite.

O fim da breve trégua recente expôs novamente a dificuldade de sustentar períodos de interrupção dos combates. Embora ambos os lados tenham se acusado mutuamente de violações durante o cessar-fogo, não houve grandes ofensivas até sua conclusão. Essa situação foi revertida de forma abrupta com a retomada dos ataques em larga escala.

Conflito mais letal desde a Segunda Guerra Mundial

Iniciada em fevereiro de 2022, a guerra aberta pela Rússia na Ucrânia se tornou o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com centenas de milhares de mortos, segundo estimativas. Quatro anos depois, o cenário permanece marcado por impasse militar, escalada periódica de violência e ausência de perspectivas claras de solução diplomática no curto prazo.

Diante da nova onda de ataques, Kiev reforça os pedidos por maior pressão internacional sobre Moscou. Ao mesmo tempo, episódios como o bombardeio desta semana indicam que, longe de se aproximar de um desfecho, o conflito continua sujeito a ciclos de intensificação, com impacto direto sobre civis e crescente repercussão no equilíbrio geopolítico global.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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