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Keiko Fujimori é declarada vencedora da eleição presidencial do Peru

3 jul 2026 - 15h43
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Após semanas de análise de votos contestados, ‌protestos e acusações de fraude em uma disputa acirrada, a conservadora Keiko Fujimori foi oficialmente declarada vencedora da eleição presidencial do Peru pelo órgão eleitoral do país nesta sexta-feira.

Keiko obteve 50,135% dos votos no segundo turno de 7 de junho, garantindo o cargo mais alto do país em sua quarta candidatura à Presidência, contra os 49,865% do senador de esquerda Roberto Sánchez — uma diferença de apenas cerca de 50 mil votos, de um total de ⁠18 milhões.

Essa margem estreita representa uma reviravolta em relação à derrota por uma diferença mínima que Keiko sofreu em ‌2021, quando perdeu por cerca de 45 mil votos para o ex-presidente de esquerda Pedro Castillo. Castillo sofreu um processo de impeachment e foi preso por tentar dissolver o Congresso em 2022.

Sánchez era visto como o herdeiro ‌político de Castillo e afirmou que não reconhecerá o governo de ‌Keiko Fujimori após alegar, sem apresentar provas, fraude eleitoral. Sánchez, impulsionado por eleitores das regiões rurais do ⁠Peru, liderou a disputa no início da apuração e também venceu os votos computados dentro do país por uma margem estreita. Ele liderou marchas contestando o resultado e apresentou uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos contestando as eleições.

Keiko, por outro lado, foi impulsionada pelos eleitores da região da capital, Lima, e também liderou os votos registrados no exterior por uma ampla margem, o que a levou à vitória.

A disputa acirrada e prolongada destacou a ‌profunda polarização do país e a turbulência política que resultou na destituição de vários presidentes na última década.

VITÓRIA DE KEIKO ‌RECEBE ELOGIOS DE LÍDERES DE DIREITA

Quando ⁠Keiko assumir o poder em ⁠28 de julho, ela será a décima presidente a tomar posse desde o início de 2016. Ela sucederá o presidente interino ⁠José Balcazar, que assumiu em fevereiro após uma série de destituições ‌presidenciais por acusações de corrupção ou ‌abuso de poder.

A vitória de Keiko Fujimori reafirma a guinada à direita na América Latina, e outros líderes conservadores da região, incluindo Javier Milei, da Argentina, José Antonio Kast, do Chile, e Nayib Bukele, de El Salvador, já parabenizaram a presidente eleita.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também parabenizou Keiko ⁠em comunicado na terça-feira, afirmando que o governo do presidente Donald Trump espera aprofundar a cooperação nas áreas de segurança, investimento e comércio.

Sua vitória também foi bem recebida pelos mercados, que haviam ficado abalados com a perspectiva de uma vitória de Sánchez. Na quinta-feira, a Moody's divulgou um relatório afirmando que um governo Keiko Fujimori preservará a continuidade das políticas, reforçará a confiança dos investidores e ‌ajudará o país a sustentar o crescimento.

O relatório acrescentou que isso poderia ajudar a desbloquear projetos de mineração paralisados no Peru, que é o terceiro maior produtor mundial de cobre.

DINASTIA POLÊMICA

Keiko, de 51 anos, é filha ⁠do falecido presidente Alberto Fujimori, que governou o país com mão de ferro de 1990 a 2000 e foi reconhecido por derrotar insurgentes maoístas e controlar a hiperinflação galopante do país.

Mas os Fujimori ainda são uma dinastia controversa no Peru. Alberto cumpriu 16 anos de prisão por violações dos direitos humanos, e Keiko passou anos sob investigação por alegações de irregularidades no financiamento de campanha, que foram arquivadas no ano passado. Ela ficou em prisão preventiva duas vezes, entre 2018 e 2020, passando quase um ano e meio na prisão.

Keiko terá agora a tarefa de unir uma nação polarizada com um Congresso fragmentado e propenso a destituir presidentes. O país também enfrenta uma enorme disparidade econômica entre a capital, Lima, e as áreas rurais, onde intensos protestos e confrontos com as forças de segurança deixaram mais de 60 mortos após a destituição de Castillo do cargo.

Essas áreas também eram o reduto de apoio de Sánchez, e seu partido, "Juntos pelo Peru", detém o segundo maior bloco no Congresso, sendo que o partido de Keiko é o que possui o maior número de cadeiras.

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