Jovens chineses desempregados alugam espaço em escritórios para procurar emprego
Modalidade se tornou popular devido à alta taxa de desemprego no país asiático
Uma tendência curiosa vem ganhando força na China: diante da desaceleração econômica e de uma taxa de desemprego juvenil de 14%, muitos jovens estão pagando para usar escritórios como base na busca por trabalho.
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A situação inusitada foi registrada pela emissora britânica BBC em uma reportagem publicada neste domingo, 10.
Shui Zhou, um dos ouvidos na matéria, tinha um empreendimento no ramo alimentício que fracassou em 2024. Em abril deste ano, ele começou a pagar 30 yuans (R$ 22,50) por dia para ir a um escritório improvisado administrado por uma empresa chamada Pretend To Work Company, na cidade de Dongguan.
Segundo a reportagem, essas operações estão crescendo em grandes cidades do país, principalmente em Shenzhen, Xangai, Nanquim, Wuhan, Chengdu e Kunming.
As diárias podem variar entre 30 e 50 yuans (R$ 22,50 - R$ 37,60) e contam com escritórios funcionais, equipados com computadores, acesso à internet, salas de reunião, almoço, lanches e bebidas.
Ao invés de trabalhar neste escritório, os jovens se reúnem para se candidatar a vagas de emprego, fazer redes de conexão, ganhar familiaridade com o mundo empresarial e até mesmo iniciar novas empresas.
Os contratantes deste serviço podem chegar e sair na hora que quiserem e têm liberdade para utilizar as dependências da empresa, normalmente focada apenas nesse tipo de consumidor.
"O que estou vendendo não é uma estação de trabalho, mas a dignidade de não ser uma pessoa inútil", disse o proprietário da Pretend to Work Company à BBC, que assumiu o pseudônimo de Feiyu.
Ele afirmou ainda à reportagem que 40% dos clientes são recém-formados que vão ao local tirar fotos para comprovar suas experiências de estágio para seus antigos tutores. Enquanto um pequeno número deles escolhe o escritório para ajudar a lidar com a pressão dos pais.