Itália fica em último lugar no G7 em gastos com saúde em relação ao PIB, diz relatório
País precisaria destinar 36 bilhões de euros adicionais por ano para reduzir diferença
Segundo relatório da Fundação Gimbe, a Itália é a última colocada do G7 em gastos públicos com saúde, aplicando 6,2% do PIB em 2025, abaixo da média da OCDE (7,1%). O valor per capita (US$ 3.952) também é inferior ao padrão europeu. A entidade aponta que 15 anos de subfinanciamento criaram um déficit estrutural no setor, exigindo um aporte de 36 bilhões de euros anuais para recuperar o sistema público e garantir a assistência adequada à população.
A Itália ocupa a última posição entre os países do G7 em gastos públicos com saúde em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), segundo uma análise divulgada nesta quarta-feira (2).
De acordo com o relatório da Fundação Gimbe, organização italiana dedicada à pesquisa e à promoção da saúde pública, os gastos públicos do país com o setor corresponderam a 6,2% do PIB em 2025, uma queda em relação aos 6,3% registrados em 2024.
O percentual está significativamente abaixo da média de 7,1% observada tanto nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) quanto nos países europeus.
O documento estima que a Itália precisaria destinar cerca de 36 bilhões de euros adicionais por ano ao sistema público de saúde para reduzir a diferença em relação aos demais países analisados.
"O subfinanciamento público da saúde não é mais uma questão contábil para especialistas, mas sim um problema estrutural que enfraqueceu o sistema nacional de saúde e comprometeu a garantia de um direito fundamental", afirmou Nino Cartabellotta, presidente da fundação.
A análise, baseada em dados da OCDE, aponta que a distância entre a Itália e outros países europeus em investimentos públicos em saúde vem aumentando nos últimos anos.
Em proporção do PIB, a Itália fica atrás de 14 países europeus da OCDE. A diferença é particularmente expressiva em relação à Alemanha, que destina cerca de 11% do PIB à saúde pública, quase cinco pontos percentuais acima dos italianos. França, Suécia e Reino Unido também apresentam níveis de investimento aproximadamente três pontos percentuais superiores.
A desvantagem também aparece quando os gastos são analisados por habitante e ajustados pela paridade do poder de compra. Segundo o relatório, em 2025, a Itália registrou gastos públicos per capita em saúde de US$ 3.952, cerca US$ 909 inferior à média da OCDE e US$ 1.013 abaixo da média dos países europeus.
"Na comparação europeia, a Itália está agora firmemente em último lugar: à nossa frente estão a República Tcheca, a Eslovênia, a Polônia e a Espanha, enquanto apenas alguns países do Leste e do Sul da Europa permanecem atrás de nós", afirmou Cartabellotta.
O levantamento também analisa a evolução dos gastos ao longo dos últimos 15 anos. De acordo com a fundação, a diferença entre a Itália e os demais países europeus começou a aumentar em 2011 e não foi reduzida desde então.
A entidade calcula que o déficit acumulado de recursos públicos para a saúde chega a quase 36,1 bilhões de euros, resultado, segundo Cartabellotta, de anos de redução progressiva do financiamento.
"Este é o abismo criado por 15 anos de erosão progressiva dos recursos públicos, continuada sob governos de todas as matizes políticas", disse o presidente da Gimbe.
A divulgação do relatório ocorre antes do início das discussões sobre a Lei Orçamentária de 2027, em um momento em que a fundação cobra uma mudança na política de financiamento da saúde pública.
Cartabellotta defendeu uma "mudança de rumo", com recursos suficientes para atender às necessidades do sistema e reformas capazes de transformar o aumento do financiamento em serviços mais acessíveis à população.
Entre as prioridades apontadas pela Gimbe estão os profissionais de saúde e a oferta uniforme dos Níveis Essenciais de Assistência (LEA), conjunto de serviços e tratamentos que o sistema público italiano deve garantir à população. .
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