Itália denuncia expulsão 'sem justificativa' de dois funcionários pela Rússia
Tajani suspeita de 'retaliação' por envolvimento de militares russos em caso de espionagem
O governo da Itália anunciou nesta segunda-feira (20) que a Rússia expulsou de Moscou um adido militar italiano e um de seus auxiliares, em meio a uma escalada de tensão diplomática entre os dois países.
A decisão foi revelada logo após o Ministério russo das Relações Exteriores convocar o encarregado de negócios da Itália na Rússia, Giovanni Scopa. Para o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, a medida russa foi tomada "sem justificativa" e representou um "ato flagrante de retaliação".
Segundo ele, a expulsão ocorreu após a Itália determinar, no início de julho, a saída de dois adidos militares da embaixada russa em Roma por supostas atividades de espionagem contra a segurança nacional italiana.
"A Federação Russa expulsou, sem justificativa, o adido militar italiano em Moscou, juntamente com um de seus colaboradores", declarou Tajani em publicação na rede social X.
O chanceler afirmou ainda que Moscou reagiu diretamente à expulsão dos militares russos "flagrados realizando atividades de espionagem". Até o momento, o governo russo não divulgou nenhum comentário oficial sobre a acusação feita pela Itália.
A crise diplomática teve início após a prisão de dois ex-agentes de inteligência italianos, anunciada pela polícia de Roma.
De acordo com as investigações, eles teriam repassado a Moscou informações sigilosas relacionadas à ajuda militar italiana à Ucrânia.
Um dos detidos, um ex-oficial de inteligência de 59 anos, teria fornecido informações a um contato russo por meio de seis fontes diferentes, incluindo quatro militares da ativa em funções de alto nível de sigilo, de acordo com as autoridades de Roma.
A imprensa italiana informou que entre os dados compartilhados estavam detalhes sobre o sistema de defesa aérea franco-italiano SAMP/T, previsto para ser enviado à Ucrânia, além de informações sobre os mísseis Aster já entregues a Kiev.
Os contatos russos também teriam buscado dados sobre uma missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Bulgária e sobre a empresa italiana Avio, fabricante de motores utilizados em drones e mísseis supersônicos.
O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, afirmou anteriormente que o caso poderia ser apenas "a ponta do iceberg" de uma suposta campanha de "guerra híbrida" conduzida pela Rússia contra países europeus em meio à invasão da Ucrânia.
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