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Israel promete manter ataques ao Hezbollah, enquanto líderes alertam para risco ao cessar-fogo

Após ataques aéreos mortais no Líbano, Israel reiterou nesta quinta-feira (9) sua determinação de atacar o Hezbollah e pediu a evacuação de subúrbios no sul do país vizinho, em uma escalada que gerou preocupação internacional e levou países como Alemanha, Rússia e membros da União Europeia a alertar para o risco de comprometimento da trégua negociada entre Estados Unidos e Irã.

9 abr 2026 - 14h05
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Depois de cinco semanas de guerra no Oriente Médio, o cessar-fogo, agora em seu segundo dia, pareceu trazer algum alívio, sem relatos de bombardeios no Irã ou no Golfo.

Um homem observa uma retroescavadeira em funcionamento no local de um ataque israelense realizado na quarta-feira (8) em Al-Mazraa, Beirute, Líbano. Em 9 de abril de 2026.
Um homem observa uma retroescavadeira em funcionamento no local de um ataque israelense realizado na quarta-feira (8) em Al-Mazraa, Beirute, Líbano. Em 9 de abril de 2026.
Foto: REUTERS - Raghed Waked / RFI

Em Teerã e outras cidades, milhares de iranianos se reuniram para marcar o 40º dia desde o assassinato do ex-líder supremo Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro por um ataque israelense-americano. Apesar de seu "martírio", o aiatolá Khamenei "está vivo, está nos observando e está orando por cada um de nós", disse à AFP a estudante Nastaran Safai, de 24 anos, acrescentando que a guerra terminou em uma "vitória" para o Irã.

Em Israel, locais sagrados e escolas reabriram, com a maioria das restrições relacionadas ao estado de emergência suspensas.

Em Jerusalém Oriental, no Monte do Templo, um jovem fiel, Hamza al-Afghani, compartilhou sua alegria "indescritível".

Líbano em luto

Já no Líbano, em luto, a atmosfera é bem diferente. Em Beirute, equipes de resgate ainda buscam vítimas dos ataques realizados simultaneamente por Israel em diversas áreas na quarta-feira (8), que deixaram mais de 200 mortos e mil feridos.

"Continuaremos a atacar o Hezbollah onde for necessário, até que tenhamos totalmente restabelecido a segurança para os moradores do norte de Israel", declarou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Nesta quinta-feira, o exército israelense voltou a pedir que moradores de vários bairros no sul de Beirute evacuassem o local devido a novos bombardeios.

A ONU alertou que esses ataques representam um "grave perigo para o cessar-fogo e para os esforços em prol de uma paz duradoura", às vésperas das negociações planejadas entre o Irã e os Estados Unidos no Paquistão.

Seguindo os passos de Paris e Londres, a Alta Representante da União Europeia para as Relações Exteriores e a Política de Segurança, Kaja Kallas, também enfatizou que a trégua de duas semanas acordada entre Washington e Teerã deve "incluir o Líbano".

Essa posição também foi expressa pela Rússia. "Moscou presume que esses acordos (...) têm uma dimensão regional e se estendem, em particular, ao Líbano", declarou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, em um comunicado. A porta-voz Maria Zakharova condenou a ofensiva israelense no Líbano, afirmando que ela "ameaça descarrilar o processo de negociação que estava começando a tomar forma".

O Líbano "não deve ser usado como bode expiatório por um governo (israelense) incomodado com o cessar-fogo alcançado entre os Estados Unidos e o Irã", disse, por sua vez, o ministro das Relações Exteriores francês, Jean‑Noël Barrot.

A Turquia também pediu inclusão do Líbano no acordo de cessar-fogo.

Alemanha retoma negociações com Teerã

Para o chanceler alemão Friedrich Merz, o "processo de paz" entre os EUA e o Irã, que visa pôr fim à guerra no Oriente Médio, pode fracassar devido à ofensiva israelense no Líbano, conforme declarou nesta quinta-feira. No entanto, a Alemanha é um dos aliados europeus mais fiéis de Israel.

"Estamos particularmente preocupados com a situação no sul do Líbano. A brutalidade com que Israel está travando a guerra ali pode comprometer todo o processo de paz, e isso não pode acontecer", disse Mertz a jornalistas.

Friedrich Merz enfatizou que, assim como outros líderes, havia pedido ao governo israelense na quarta-feira que "cessasse a escalada de seus ataques". Após a entrada em vigor do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã na noite de terça-feira (7), Israel afirmou que o Líbano não estava abrangido pelo acordo e, desde então, intensificou seus ataques contra o Hezbollah.

Friedrich Merz também anunciou hoje a retomada das negociações entre a Alemanha e o Irã. "Após um longo silêncio, motivado por razões sérias de nossa parte, o governo alemão está retomando as negociações com Teerã. Fazemos isso em consulta com os Estados Unidos e nossos parceiros europeus", disse ele.

"Queremos pôr um fim rápido à escalada militar que está desestabilizando cada vez mais o Oriente Médio, favorecendo cada vez mais a Rússia e gerando incerteza em escala global", acrescentou. O líder alemão enfatizou que não deseja que a guerra no Oriente Médio tensione ainda mais as relações entre os Estados Unidos e seus parceiros europeus da Otan.

"Não quero uma divisão dentro da Otan. A Aliança Atlântica é uma garantidora de nossa segurança, particularmente na Europa. Devemos continuar mantendo a calma", disse Mertz, um dia após uma reunião em Washington entre Donald Trump e Mark Rutte, secretário-geral da Otan, na qual o republicano disse que os Estados Unidos foram abandonados por seus parceiros, que haviam "virado as costas" para os Estados Unidos na guerra contra o Irã.

Após a pressão internacional, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou a abertura de "negociações diretas" com o Líbano. "Após repetidos pedidos do Líbano para a abertura de negociações diretas com Israel, instruí o gabinete ontem (quarta-feira) a iniciar negociações diretas com o Líbano o mais breve possível", anunciou. "As negociações se concentrarão no desarmamento do Hezbollah e no estabelecimento de relações pacíficas entre Israel e o Líbano", explicou.

(Com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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