Irã volta a fechar Estreito de Ormuz um dia após reabertura
Teerã exigiu que EUA desbloqueiem acesso a seus portos
O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz neste sábado (18) devido ao bloqueio dos Estados Unidos na rota, anunciou o comando militar de Teerã.
Segundo o porta-voz do Quartel-General Central de Khatamolanbia, Ebrahim Zolfaghari, "o controle do Estreito retornou ao seu status anterior", um dia após ser reaberto.
"A decisão do Irã se deve à falta de comprometimento dos EUA e ao que eles chamam de 'bloqueio', o que equivale a pirataria e roubo", declarou Zolfaghari, acrescentando que desde o fechamento de Ormuz, em 2 de março, Teerã permitiu, "de boa fé, a passagem de alguns navios mercantes e petroleiros pelo Estreito".
"Mas agora, o governo iraniano continuará controlando a hidrovia até que os EUA suspendam o bloqueio e os navios possam navegar livremente de e para o Irã", afirmou o porta-voz, segundo a agência de notícias Fars.
Já o vice-ministro das Relações Exteriores do país persa, Saeed Khatibzadeh, reforçou que Washington "não pode impor um assédio ao Estreito de Ormuz justamente quando o Irã busca facilitar sua passagem".
Por sua vez, em declaração à imprensa, o presidente americano, Donald Trump, voltou a confirmar que irá manter o bloqueio dos portos iranianos se não houver um acordo de paz com Teerã. Ele também disse que poderá não estender a trégua com o Irã após o prazo final, na quarta-feira (22).
Para a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, "a instabilidade" no Oriente Médio "está se tornando o normal".
"Enquanto estávamos a caminho [de um acordo de cessar-fogo], o Irã anunciou que quer fechar o Estreito de Ormuz. A situação está em constante mudança e estamos trabalhando a cada minuto" para "estabilizar" o quadro, disse Meloni.
Ontem, o governo iraniano anunciou a reabertura completa do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, rota crucial para o escoamento da produção de petróleo, gás e derivados do Golfo Pérsico.
A decisão ocorreu após um acordo entre Israel e Beirute mediado pelos EUA colocar em vigor um cessar-fogo de 10 dias no Líbano.
No entanto, neste sábado, as Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram que realizaram ataques, nas últimas 24 horas, no sul libanês contra militantes do Hezbollah que "violaram o acordo de trégua", informou o Times of Israel.
O confronto atingiu membros de um batalhão francês da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) em Ghandouriyeh.
"É evidente que esse comportamento irresponsável causa sérios danos a Beirute e às suas relações com os países amigos que nos apoiam internacionalmente", escreveu no X o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam.
O presidente da França, Emmanuel Macron, confirmou que a ofensiva matou um soldado e deixou outros três feridos.
"Tudo nos leva a pensar que [o ataque] seja de responsabilidade do Hezbollah", acrescentou Macron.
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