Irã diz estar aberto à desescalada e afirma que líder supremo Ali Khamenei está vivo
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, está vivo, afirmou no sábado o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, em entrevista à NBC. Ele também declarou que Teerã está "interessada" em uma desescalada e não tem como alvo os Estados do Golfo.
O aiatolá Khamenei ainda está vivo "pelo que sei", disse Araghchi. "Todos os altos funcionários estão vivos. Portanto, todos estão agora em seus postos e estamos gerenciando a situação."
"Não há comunicação no momento, mas certamente estamos interessados na desescalada", acrescentou. O ministro afirmou ainda ter explicado aos países do Golfo que o Irã "não tem intenção de atacá-los", mas que está visando "bases americanas" instaladas nesses países "em um ato de autodefesa".
Além disso, o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, também estaria "são e salvo", segundo a agência oficial IRNA neste sábado. A informação também foi divulgada pelas agências Mehr News Agency e ISNA.
Um oficial militar de Israel afirmou no sábado que vários altos funcionários iranianos foram "eliminados" nos ataques realizados desde a manhã contra o Irã, em conjunto com os Estados Unidos.
"Três locais onde reuniões do regime terrorista iraniano estavam sendo realizadas foram atingidos simultaneamente, e vários altos funcionários essenciais para a condução das operações militares iranianas e para a governança do regime foram eliminados", disse a fonte, sob condição de anonimato, sem revelar nomes.
O Exército israelense divulgou uma foto mostrando a residência do líder supremo iraniano em Teerã após os ataques.
Posteriormente, também foram divulgadas imagens de satélite que mostram danos em um acampamento ligado ao aiatolá Khamenei.
A agência de notícias ISNA, havia confirmado que o setor de Pasteur District, onde ficam a residência do líder supremo e o palácio presidencial no centro de Teerã, foi alvo dos ataques.
Governo pede que moradores deixem Teerã
Os cerca de 10 milhões de moradores de Teerã estão abrigados em suas casas e foram aconselhados a deixar a cidade.
"Considerando as operações conjuntas realizadas pelos Estados Unidos e pelo regime sionista (Israel) contra Teerã e algumas das principais cidades, por favor, se possível e mantendo a calma, dirijam-se a outras cidades", escreveram as autoridades em uma mensagem enviada aos telefones de cidadãos iranianos.
Um grande número de policiais e agentes das forças de segurança patrulha a cidade, e poucos pedestres se aventuram nas ruas, já que a maioria das lojas está fechada. As únicas filas visíveis se concentram nos postos de gasolina.
Durante semanas, os iranianos temiam uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel, após ameaças feitas por Donald Trump depois de um grande movimento de protesto em janeiro. Embora negociações entre Teerã e Washington tenham começado para tentar evitar um confronto, as expectativas de avanço eram limitadas.
Quando Teerã foi atacada, as lojas haviam acabado de abrir, táxis e ônibus trafegavam lentamente no trânsito da manhã, e longas filas se formavam diante das padarias.
Nos minutos seguintes ao ataque, os moradores ficaram paralisados, observando a fumaça que saía dos prédios danificados.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, principal órgão de segurança do país, informou que planos de emergência previamente preparados foram ativados. Escolas e universidades receberam ordens de fechamento por tempo indeterminado, enquanto os bancos permaneceriam abertos e os órgãos governamentais operariam com metade da capacidade.
Segundo autoridades citadas pela mídia estatal, o abastecimento de alimentos e combustível está sendo mantido, e espera-se que o metrô e os ônibus continuem operando normalmente.
Com AFP