Irã afirma que derrubou caça americano; EUA confirmam resgate de piloto
Um avião de combate americano foi derrubado no Irã, onde operações estão em andamento nesta sexta-feira (3) para localizar o piloto, segundo a imprensa americana e iraniana. O Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom) não comentou o incidente.
A afiliada da televisão estatal iraniana em Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, no sudoeste, divulgou imagens do que seriam os destroços da aeronave. A polícia anunciou uma recompensa para quem entregar seus ocupantes. Um membro da tripulação do avião foi resgatado pelas forças americanas, informou nesta sexta-feira a emissora CBS, citando dois responsáveis.
Mais cedo, a agência de notícias Fars confirmou que uma operação "para encontrar os pilotos" estava em andamento.
"Se vocês capturarem vivo o piloto ou os pilotos inimigos e os entregarem à polícia e às forças armadas, receberão uma recompensa generosa", disse a jornalista.
Esta é a primeira vez que a queda de uma aeronave americana em solo iraniano vem a público desde o início da ofensiva dos EUA e de Israel, em 28 de fevereiro. Para analistas, o episódio indica que a República Islâmica ainda dispõe de capacidades antiaéreas, apesar de semanas de intensos bombardeios.
Troca de ameaças
O incidente ocorre após um novo dia de trocas de ameaças entre o Irã e os Estados Unidos e de ataques contra o território iraniano. Teerã voltou a lançar mísseis contra Israel e contra monarquias do Golfo aliadas dos EUA, em resposta às ofensivas e às ameaças de Donald Trump de destruir a infraestrutura civil iraniana.
O Exército israelense não detalhou os alvos atingidos, mas a rádio militar mencionou danos em uma estação ferroviária de Tel Aviv. Segundo a imprensa iraniana, a Guarda Revolucionária - o Exército ideológico da República Islâmica - atacou Tel Aviv e a estância de Eilat, no sul.
Os alertas que orientam israelenses a buscar abrigos em caso de ataque tornaram-se mais precisos graças ao uso de ferramentas de inteligência artificial. "O alerta é ultralocalizado", explica Sarah Chemla, 32, moradora de Tel Aviv, que só acorda os filhos quando o bairro dela é especificamente ameaçado.
Infraestruturas civis são atingidas
Nos Emirados Árabes Unidos, país do Golfo visado pelo Irã, 12 pessoas - nepalesas e indianas - ficaram feridas após a interceptação de um ataque em Abu Dhabi, onde um complexo de gás foi fechado por causa de um incêndio.
No Kuwait, um ataque de drones contra uma refinaria provocou incêndios, e uma usina elétrica e de dessalinização foi atingida. O Exército iraniano afirmou que seus alvos eram locais americanos, israelenses e em "países anfitriões e aliados dos Estados Unidos".
A ofensiva respondia às ameaças do presidente americano, que havia prometido destruir a infraestrutura iraniana, declarando em sua rede Truth Social: "As pontes serão as próximas, depois as usinas elétricas!".
Na quinta-feira (2), bombardeios dos EUA e de Israel destruíram uma ponte em construção perto de Teerã e danificaram o Instituto Pasteur iraniano. Israel afirmou ter destruído "70% da capacidade de produção de aço" do Irã.
Desde quinta, as duas maiores siderúrgicas do país estão paradas. Trump havia anunciado na quarta que pretendia realizar "duas a três semanas" de bombardeios intensos para "mandar o Irã de volta à Idade da Pedra", caso Teerã não aceitasse uma solução negociada.
Estreito de Ormuz
O ex-ministro das Relações Exteriores iraniano Mohammad Javad Zarif pediu, em artigo publicado na imprensa americana, que Teerã "conclua um acordo" para pôr fim à guerra. Ele propôs que o país, em troca do levantamento das sanções, "limite seu programa nuclear e reabra o Estreito de Ormuz", rota estratégica para o comércio de petróleo, fertilizantes e outras mercadorias, hoje paralisada.
A quase total paralisação do estreito provocou disparada nos preços do petróleo e de outras mercadorias, alimentando temor de uma crise inflacionária global. O Irã, acusado por cerca de 40 países de "tomar a economia mundial como refém", advertiu que o estreito permanecerá fechado a países considerados hostis.
Mesmo assim, um porta-contêiner do grupo francês CMA CGM atravessou o estreito na quinta-feira. É a primeira travessia conhecida de um grande grupo europeu desde o bloqueio.
Países do Golfo pediram ao Conselho de Segurança da ONU que autorizasse a liberação do estreito pela força. Uma votação prevista para esta sexta sobre o projeto de resolução foi adiada por falta de consenso. Teerã, por sua vez, alertou a ONU contra qualquer "ação provocadora".
O presidente americano Donald Trump, que tem feito declarações contraditórias sobre o Estreito, afirmou nesta sexta que os EUA poderiam "abrir" a passagem e "tomar o petróleo" com "um pouco mais de tempo".
Com agências